quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Cult de Quinta: Clube dos Cinco (por Espanhol)


Fala galerinha, tudo bem com vocês? Atendendo ao pedido de uma "leitora assídua" do C de Caneca, o filme dessa semana é a comédia dramática The Breakfast Club (Clube dos Cinco), filme de John Hughes, o mesmo diretor de Curtindo a Vida Adoidado e responsável pelos roteiros da sequência Esqueceram de Mim, Beethoven e 101 Dálmatas, vale a pena resgatar esse clima de Sessão da Tarde com esse clássico!

Cinco adolescentes problemáticos são retratos do modo de vida da superficial e conturbada sociedade em que vivem durante um sábado de detenção em sua escola e apesar das máscaras sociais distintas que vestem, eles acabam por descobrir que possuem muito mais em comum do que imaginam.



         A patricinha (Molly Ringwald), o esportista (Emilio Estevez), o nerd (Anthony Michael Hall), a psicótica (Ally Sheedy) e o vândalo (Judd Nelson). Cinco jovens com personalidades totalmente diferentes e aparentemente uma só coisa em comum: terem de passar o sábado juntos na biblioteca de sua escola para refletirem e fazerem uma dissertação de mil palavras sobre ‘como eles se veem’ como forma de punição, imposta pelo diretor Richard Vernon (Paul Gleason), por seus recentes maus comportamentos.

         O diretor John Hughes (do também clássico Curtindo a Vida Adoidado) alcançou relativo sucesso nos anos 80 e 90 lançando a mão em direções de comédias com certo conteúdo crítico. O filme, realizado em 1985, retrata exatamente a sociedade americana referente ao período. Tudo está lá, desde os penteados extravagantes, as roupas coloridas e até a aura de ingenuidade no ar. A grande ironia é que as diferenças para a sociedade de hoje terminam por ai, já que as problemáticas sociais como os relacionamentos familiares, diferenças de classe e a educação dos jovens são assuntos que ainda hoje são discutidos e ainda não foram solucionados de forma definitiva.

        Juntos os cinco representam grupos ideológicos diferentes, com um grande problema em comum, todos possuem relacionamentos conturbados com seus pais, sendo que, os jovens estão estereotipados de forma que, mesmo os progenitores quase não sendo abordados na trama, é possível se ter a exata noção de seu comportamento e personalidade, e como Bender (o vândalo), Claire (a patricinha), Andy (o esportista), Brian (o nerd) e Allison (a psicótica) comentam em certo momento, por mais que você se distancie, parece que algo conspira para que seu modus operandi se torne uma extensão de seus progenitores.

      Conforme o tempo passa, os adolescentes vão ficando cada vez mais ligados, “liderados” por Bender, que parece ter a necessidade de desafiar a autoridade de Vernon e menosprezar os outros. Juntos eles acabam fazendo de tudo na tarde que passam na escola, inclusive fumando maconha, conversando sobre sexo e sobre o que os levou a parar na escola em pleno sábado. Os pontos altos da fita são justamente esses diálogos sobre as barreiras dos jovens como por exemplo a virgindade e onde cada um expõem os conflitos que cercam suas vidas com suas famílias, realizando uma conexão incomum entre os tipos mais diferentes.

           Os destaques ficam por conta das cenas totalmente nostálgicas onde a trilha sonora dita o ritmo da fita, como na “fuga” pelos corredores da escola dos cinco alunos do diretor Vernon e ao fumarem maconha, onde tudo parece ser tirado de um daqueles clipes caseiros filmados em VHS. O aprofundamento das personagens é adequado e a que mais se destaca é Bender, que apesar de diminuir os outros quatro, os fazem sair da inércia de uma forma pouco ortodoxa e da o pontapé inicial para os questionamentos de quem são e porque são desse jeito e sobre seus anseios e dúvidas. É impossível não se identificar com alguma das personagens ou não reconhecer os mesmos tipos do filme no período que passamos pela escola.

           A única ressalva fica por conta do desfecho previsível e a sensação de que muito foi feito, mas nada resolvido, talvez seja exatamente essa sensação de saber o estado em que se encontra, mas não ter ainda a capacidade de mudar que faz com que o Clube dos Cinco seja um filme altamente recomendado para quem quer mergulhar de cabeça nos anseios atemporais dos jovens através de uma comédia oitentista bem contada, leve e com conteúdo.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Especial Oscar 2014: Capitão Philips (Por Rodrigo Sansão)

(Captain Phillips - 2013)


E entramos finalmente na reta final da saga pra assistir e comentar todos os filmes indicados ao Oscar. E para desilusão de alguns poucos leitores do blog, não venceremos esta batalha, ou pelo menos parte dela. Até conseguiremos assistir todos, mas comentar um por um, está cada vez mais difícil.



Bom, vamos lá! O filme que irei comentar hoje é sobre Capitão Philips. O drama conta a história do capitão Richard Philips, interpretado por Tom Hanks. Ao passar pelas águas africanas, o navio que carregava alimentos e mercadorias para a população da Somália é atacado por piratas. Com o navio rendido, o capitão tenta salvar sua vida e dos tripulantes.

É muito capaz do filme não levar nenhuma das 6 estatuetas indicadas. Talvez a única que possa ser considerada é a de melhor coadjuvante para Barkhad Abdi, um dos líderes dos piratas que invade o navio. Infelizmente o ator possui concorrentes muito fortes nessa categoria. 

As demais indicações, por serem a maioria técnicas, não devem fazer frente a Gravidade. 
Eu também não creio que tenha forças para ganhar o prêmio de melhor filme. Mas um ponto pode ser levado em conta, o forte tom patriota do filme. A entrada das forças de resgate da Marinha Americana foi exagerada evidenciando a soberania militar dos Estados Unidos. O filme não precisava disso tudo. Por outro lado, esse patriotismo é sempre valorizado, que o diga Argo, eleito melhor filme do ano passado.

Pelo elenco, deveria falar um pouco do Tom Hanks, mas ele não foi bem. Não gostei do personagem, nem da atuação. Embora por ser uma história baseada em fatos reais, talvez ele não pudesse fugir muito do contexto, mas acho que faltou um pouco de esforço do ator. Um pouco decepcionante.

Para quem gosta de ação, o filme é bom. Por incrível que pareça,  te prende até o final. Porém, o filme não é nada demais. Muitos clichês, muito exagero, muitos gritos na tentativa de deixar mais dramático, mas definitivamente sem efeito.

Sinceramente, se não fosse indicado ao Oscar e consequentemente ter que postar no blog, nem  assistiria o filme. Mas como não somos nós que votamos no Oscar, vai saber, né?! Quem sabe tenha alguma chance!!

Update: O filme não levou nenhum estatueta a que concorreu.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Cult de Quinta: A Outra História Americana (Por Espanhol)

(American History X)

Fala galera, tudo bem com vocês? O filme dessa semana é o classudo American History X (A Outra História Americana), filme que levou uma indicação ao Oscar de Melhor Ator para Edward Norton em 1999, a propósito, época que Norton fez mais um filme que, para mim, marcou a história do cinema de forma singular que foi Fight Club (Clube da Luta), mas isso é história pra outra Quinta...

Tudo que é aprendido pode ser desaprendido? Desvios de comportamento como ódio, racismo e violência podem ser corrigidos? Seriam eles efeitos decorrentes da diferença social e impunidade ou parte da índole de algumas pessoas? Todos têm direito a uma segunda chance? Todos mesmo? Inclusive o líder de uma gangue neonazista?

          Derek Vinyard (Edward Norton) é o líder local de uma gangue de skinheads que propaga mensagens de ódio e violência contra imigrantes, negros e minorias. Durante um assalto a seu carro, Derek mata três ladrões, negros, na frente de seu irmão caçula Danny Vinyard (Edward Furlong) e vai preso. Danny começa a nutrir um ódio movido pelo racismo e está pronto para seguir os passos de seu irmão como skinhead, porém, tudo muda quando Derek sai da prisão transformado e decidido a deixar essa vida.

          A Outra História Americana é um filme multifacetado: ele permite que se discorra sobre vários temas sem fugir da ótica principal da história, mas a grande mensagem que a película passa é que quando as ações que você toma não te trazem nenhum benefício, é hora de refletir e mudar. O primeiro indício de desconstrução da personalidade dos irmãos Vinyard se da com a morte de seu pai, Dennis Vinyard (Willian Russ), que era bombeiro e estava apagando um incêndio em um bairro negro, e levou um tiro.

          É engraçado notar, que apesar do estopim para o desenrolar dos acontecimentos seja a morte de seu pai, antes mesmo disso acontecer, vemos um diálogo de Dennis com Derek onde o próprio começa a disseminar algumas ideias racistas a cerca do professor e posteriormente diretor da escola onde os irmãos estudavam, Dr. Bob Sweeney (Avery Brooks). O fato é que Derek canaliza seu ódio baseado numa visão racista de seu pai e na fatalidade que aconteceu com o mesmo para justificar seus atos.

Vemos a personagem de Norton se juntar com Cameron Alexander (Stacy Keach) mentor e idealizador da gangue neonazista e fornecedor de material racista. A estratégia de Cameron é simples, pegar jovens problemáticos e manipula-los com informações preconceituosas e tendenciosas de forma a justificar os atos da “supremacia branca”. Importante destacar a memorável cena do assassinato dos ladrões negros por Derek, onde ele mostra toda sua falta de escrúpulos e sangue frio e ainda sai rindo, após ser preso, sendo de uma perversão maligna impressionante.

A aura carregada e emotiva do filme fica por conta da relação entre os dois irmãos Derek e Danny, principalmente após a saída de Derek da prisão e seu relato sobre como foi sobreviver três anos de sua vida nela. Lá Derek começa a mudar seus conceitos sobre a vida quando um jovem ladrão negro começa a se tornar seu amigo (a despeito de todas as diferenças inclusive contrastando com suas inúmeras tatuagens de suásticas e “White power”) e quando a própria gangue de skinheads da cadeia se volta contra Derek, inclusive protagonizando uma cena forte o estuprando e o espancando.

A química entre Norton e Furlong é sensacional, o sentimento de culpa do irmão mais velho e o desespero de ver seu irmão caçula indo para um caminho onde possivelmente não haveria volta e sua relação perturbada com a família desconstruída só demonstra como o estilo de vida que ele escolheu não só não comporta boas escolhas como intoxica a todos com um péssimo exemplo. Já Furlong é a grande sacada do filme que questiona o jovem que caminha numa linha tênue para se tornar um marginal, mas, que no fundo, não quer fazer essa escolha, mas sim quer encontrar respostas para uma vida que o tirou de forma injusta seu pai e que vê em seu maior modelo seu irmão, corrompido por ideologias que só pregam o ódio.

O filme pode ser dividido em duas fases fundamentais, antes da prisão de Derek, onde a história é contada com a ajuda de vários flashbacks, os quais são todos em preto e branco, fazendo um paralelo com seu “passado negro”, lembrados por seu irmão Danny e depois de sair da prisão, onde ele tenta de todas as formas se afastar e afastar sua família do meio que o colocou lá.

Com uma grande carga dramática sobre as mazelas que caem sob suas personagens, A Outra História Americana é uma parada obrigatória sobre como a cultura do racismo e do ódio ainda está presente na sociedade e faz um alerta de que fechar os olhos para esse fato não o faz dele invisível, pelo contrário, expõem uma cicatriz que muitos ainda não sabem como lidar, porém, nos da um só alívio: Se o homem pode aprender a odiar, também pode aprender a amar e respeitar todos como iguais.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Especial Oscar 2014: Gravidade (Por Rodrigo Sansão)

(Gravity - 2013) 

Depois de alguns poucos dias de folga, aqui estamos de volta nessa maratona para assistir e comentar os principais filmes indicados ao Oscar. Já adiantando pra vocês, eu e a Cris tentaremos nos limitar a comentar somente os indicados a melhor filme, fora um ou outro que acharmos conveniente. Afinal são mais de 30 filmes envolvidos na premiação, e por incrível que pareça, nós temos vida :)



E pra voltar já em grande estilo, hoje irei comentar sobre o filme Gravidade. 
Já fazia um tempo que haviam me recomendado assistir esse filme, confesso que tentei certa vez, mas dormi nos primeiros minutos. Pessoalmente, o tema do filme não tinha me agradado. Na real, nunca fui fã de filmes de ficção com altas aventuras no espaço, visitas a Lua, exploração de Marte e afins. E Gravidade parecia trazer um pouco desse mundo. 

Quando peguei a lista dos filmes indicados ao Oscar, me espantei. Eram 10 indicações, e então,  não tive como ignora-lo. 

E o filme me surpreendeu. Sim, o filme é bom. Sim, valeu a pena ter assistido.

Um filme conta com uma história simples. Depois de uma chuva de destroços que mata seus companheiros e destrói sua nave, a doutora/astronauta Ryan Stone, interpretada brilhantemente pela atriz Sandra Bullock, é jogada no espaço sideral. Sozinha e sem comunicação, ela precisa buscar forças para sobreviver e tentar desesperadamente um meio de tentar voltar ao planeta Terra.

Quanto as indicações, pessoalmente, acho que o prêmio de melhor atriz já é de Sandra Bullock.  Ela, sozinha,  nos prendeu a atenção durante todo o filme. Nem preciso falar muito sobre a atriz, todos já conhecem seu talento. Mas a cada dia, admiro mais o seu trabalho. Definitivamente uma atriz completa.

Atuação a parte, o filme arrebenta nos quesitos técnicos. Não por menos é indicado aos prêmios de Fotografia, Montagem, Trilha Sonora, Design de Produção, Edição de Som, Mixagem de Som e Efeitos Especiais. E é muito favorito a levar todos eles. 
Os efeitos nos deixam alucinados. As imagens da Terra na visão do espaço são simplesmente espetaculares. Ao ponto de nos perguntarmos se tudo aquilo pode ser real. Se quem está no espaço possui realmente aquela visão. 
Infelizmente não tive a oportunidade de ter assistido o filme em 3D, e olha que não curto 3D, mas acho que esse filme valeria a pena.

Não conhecia os trabalhos anteriores do diretor  Alfonso Cuarón, só fui conhecer quando pesquisei pra começar a escrever esse post. Pelo conjunto da obra, o prêmio de melhor diretor também será merecido.

Quanto a melhor filme, não arriscaria em Gravidade. Ai me perguntam: "Pombas, mas você elogiou tudo no filme, disse que é favorito em todos os prêmios que disputa, por que não o melhor filme?"
Bem, achei a história legal, bacana, interessante e tal. Mas se analisarmos e compararmos com as concorrentes, ela é fraca.  Vem logo a impressão de que o que te entreteve foi justamente o cenário e as imagens espetaculares. Os efeitos maquiaram a história, e a história é justamente o ponto que mais peso para escolher meus filmes favoritos.

Bom, mas é apenas minha humilde opinião, então recomendo que assistam e tirem suas próprias conclusões.

Update: O filme venceu 7 categorias do Oscar, Efeitos Visuais, Mixagem de Som, Edição de Som, Canção Origina, Edição, Fotografia (para Emmanuel Lubezki) e Direção (para Alfonso Cuarón)

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Cult de Quinta: O Grande Lebowski (Por Espanhol)

(The Big Lebowski - 1998)

Fala galera, quem escreve é o novo membro da equipe do C de Caneca: Bruno Serrão, vulgo Espanhol!
Meu objetivo aqui, além de ajudar no que puder com as postagens dos conteúdos semanais é disponibilizar uma sessão de críticas sobre algumas das películas cults, pseudocults, clássicas e que marcaram época na história do cinema.

Vamos começar? O filme dessa semana (como vocês já perceberam pelo título.. duh) é o Grande Lebowski dirigido pelos irmãos Coen.

Os irmãos Coen nos presenteiam com seu brilhantismo mergulhado na demagogia dos anos 80 com perfume ácido e viagens sob cores e sons orquestradas pelo personagem que todos gostariam de ser, ao menos uma vez.

Jeffrey  Lebowski (Jeff Bridges), conhecido fundamentalmente como “The Dude” (Com tradução, totalmente dispensável, em português, para ‘O Cara’) é um vagabundo inveterado, vivendo em uma cidadezinha da California que tem como únicas ocupações da vida consumir drogas, ouvir fitas do Creedance em seu Walkman e jogar boliche com seus amigos Walter Sobchak (John Goodman), um veterano do Vietnam com claros problemas de temperamento e o quase inexistente Donny (Steve Buscemi), que parece sempre estar por fora do que se passa com o grupo mesmo sempre estando junto de todos.



Logo de cara o fator cômico da personagem principal não poderia ser mais obvio. “The Dude” exala sua aura caricata com uma combinação desleixada de vestuário, fala mansa e postura pacifista (e por várias vezes fumada) da vida e dos problemas. Ao desenrolar a trama, por mais que a situação pareça ruim a ponto de tirar o sono de qualquer ser humano, para “The Dude” e seu grupo o senso de perigo e seriedade passa longe e tudo parece um modorrento sábado à tarde chuvoso, que cedo ou tarde, vai acabar bem.

A história não podia começar de forma mais trivial, dois capangas invadem por engando a casa suburbana de "The Dude" atrás de seu homônimo Sr. Jeffrey Lebowski (David Huddleston), informando que sua esposa Bonnie Lebowski (Tara Reid) lhes deve dinheiro e após as tradicionais ameaças sobre o que acontece com os maus pagadores, urinam no seu tapete. “Ele era o complemento da sala”, essa é a preocupação que "The Dude" reflete aos seus amigos que o convencem a procurar seu xará para ser ressarcido no valor do seu "inestimável" tapete.

No encontro, a imagem de reconhecimento por meio do trabalho árduo do Sr. Lebowski contrasta fortemente com a falta de vontade de levantar da cama de "The Dude" Lebowski gerando uma pitada de ironia de ambos terem o mesmo nome. Destaques ficam por conta da cena onde há um espelho que imita a capa da revista TIME e Jeffrey "The Dude" Lebowski se posiciona ali, como se ser um desempregado consumidor de ácido fosse digno de representar a persona do ano e para o criado Brandt (o recentemente falecido Philip Seymour Hoffman) que toma as alegrias e dores de seu patrão de forma relativamente cômica, fazendo um humor totalmente forçado e tão sem graça que provoca risos por isso.

A trama se desenrola colocando "The Dude" em meio a uma enorme situação com múltiplas pontas envolvendo o sequestro de Bonnie, uma maleta com um milhão de dólares, um tapete roubado, um bando de alemães niilistas, o diretor de filmes pornô mais famoso da Califórnia e o campeonato municipal de boliche.

Vale ressaltar as participações de Julianne Moore como Maude Lebowski que é a filha excêntrica, artista e feminista do Sr. Lebowski que entra para colocar mais um elo na truncada corrente de sucessíveis problemas para "The Dude" e para o singular jogador de boliche da equipe adversária Jesus (John Turturro) que tem uma performance totalmente exacerbada e promove risadas em todas as aparições que realiza.

O Grande Lebowski mistura uma narrativa situação-problema-comédia como em Snatch – Porcos e Diamantes dentro do mundo de Pulp Fiction – Tempos de Violência (Parece que vamos encontrar Jules e Vega na próxima esquina). A fotografia deixa claro que, os anos 80 ainda não terminaram, parece que assistimos o filme de uma das primeiras TV’s a cores, onde tudo é mais desbotado do que parece. Vale ressaltar o trabalho adequado de som, com trilhar sonoras que nos aproximam do clima “paz e amor” (ou para alguns ignorância) que acompanha o protagonista, passando por Eagles, Bob Dylan, Santana entre outros.

O grande destaque da película fica por conta de Jeff Bridges, que carrega com maestria o fato de seu personagem ser um fracassado, mas parece que não da à mínima pra isso ou está muito alto para tanto. Vale ressaltar também o ótimo trabalho de John Goodman como Walter, que tem um grande coração, mas, como “The Dude” diz “Mais cedo ou mais tarde, você vai descobrir que é um idiota”, inclusive o primeiro protagonizando uma hilária cena envolvendo a destruição de um carro enquanto grita a plenos pulmões “Isso é o que acontece quando você fode o rabo de um estranho!”.

Divertido, leve e por vezes inusitado, o Grande Lebowski é recomendado para quem quer ter uma prévia da boa mão de direção Cohen, somada a atuações emblemáticas de personagem que ficarão marcados, pois carregam em si uma boa dose de singularidade, suficiente para promover as situações mais inusitadas de forma natural, como se aquela trama fosse completamente possível dentro da realidade em que vivem e sobrevivem.

Quanto ao “The Dude”? Todo mundo gostaria, de ao menos uma vez, passar por um furacão de problemas com um walkman no ouvido e algumas fitas do Creedence sem se preocupar com nada, talvez isso seja ser um fracassado, talvez isso seja só viver a vida da forma mais simples, ou talvez seja só a maconha e o ácido fazendo efeito.

Bruno Serrão
(@Espanhooll)

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Especial Oscar 2014: Clube de Compras Dallas (Por Rodrigo Sansão)

(Dallas Buyers Club - 2013)

Hoje falarei um pouco sobre um filme que me surpreendeu. Concorrente de super produções, o filme Clube de Compras Dallas passava despercebido. Pois bem, o filme é muito mais do que eu esperava, e tenho certeza que quando assistirem terão a mesma visão.



Pra começar, esqueçam Leonardo DiCaprio, esqueçam Christian Bale, a bola da vez é Mattew McConaughey. O ator já é meu favorito ao Oscar de Melhor Ator.

No filme, Mattew McConaughey interpreta Ron Woodroof, um eletricista que é diagnosticado com o vírus do HIV. A trama se baseia numa história real e se passa na metade da década de 80, quando a doença ainda era cercada por muitas dúvidas. Tentando sobreviver através de novas drogas, Ron cria uma forma de vender essas drogas para os demais doentes e entra numa briga contra as indústrias farmacêuticas.

Protagonista da história, Ron pode ser classificado como o anti-herói. Seu jeito grosseiro, rude e homofóbico faria com que se tornasse antipático, mas não conseguimos deixar de gostar do personagem. Mattew consegue com maestria prender nossa atenção e nos levar para dentro de seus dramas e aflições.

O filme ainda tem outras indicações para o Oscar. Jared Leto é indicado para Melhor Ator Coadjuvante. O ator interpreta o travesti Rayon, que também possui o vírus do HIV e ajuda Ron nos seus planos. Embora tenha feito um belo trabalho, não creio que leve essa estatueta, pois a concorrência é muito forte, vide Jonah Hill e  Bradley Cooper.

Abro um parenteses aqui para a participação da atriz Jennifer Garner como a Dra. Eve Saks. Gosto muito dos trabalhos dela, pena que sua participação foi menor que era esperado.

As indicações ao Oscar de Montagem e também de Maquiagem não devem fazer frente a Trapaça, porém é forte concorrente ao Oscar de Roteiro Original.

Em relação ao Oscar de Melhor Filme, eu não ficaria surpreso se Clube de Compras Dallas levasse essa. O filme pelo conjunto da obra é excepcional. Elenco brilhante, produção perfeita e a história, bem, dentre os indicados, achei a melhor até agora.

Enfim, Clube de Compras Dallas é um filme tocante que te fará refletir sobre a importância da vida e sobre o medo da morte. Um drama regado de preconceitos, discriminação e injustiças. Nos faz questionar o certo e o errado. Afinal, quem define o errado? Somos moralmente capazes de julgar?
E você? Se necessitasse de uma droga proibida ou de algum meio ilícito para viver? O que você faria? Ron Woodroof não pensou duas vezes!!!

Recomendo que assistam esse filme, vale a pena.

Update: O filme ficou com o Oscar de Melhor Maquiagem e Cabelo, de Melhor Ator Coadjuvante para Jared Leto e o de Melhor Ator para Matthew McConaughey.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Especial Oscar: Trapaça (Por Cris F Santana)


Seguindo a deixa, continuo falando deste filme.

Ao contrário do que andei lendo por aí, não achei Trapaça um filme confuso. Posso até dizer que a falta de linearidade cronológica dá mais charme a história. Mais um filme relativamente longo, pouco mais de duas horas, mas não se prolonga em cenas desnecessárias, nem tampouco o achei cansativo. Pensando o que falar sobre o filme em um modo geral, posso dizer que é um bom filme, mas que não me despertou nada de excepcional. Minha opinião, as atuações valem mais que a historia. Não posso dizer que David O. Russell não conduz bem a história, valorizando sua indicação para melhor diretor, mas senti falta de algo que me prendesse, de fato, à história.



Dentre as atuações, Christian Bale está bem colocado no papel do protagonista, fazendo um paralelo com seu último personagem de destaque, o Batman, é impossível não comentar a versatilidade do rapaz, inclusive na forma física (do sarado ao pançudinho). Um bom concorrente para Leozinho. Amy Adams, concorrendo a melhor atriz, está ótima, mas não tirou Sandra Bullock do meu posto de favorita. 

Sou suspeita para falar sobre Jennifer Lawrence, acho tudo que a moça faz ótimo e desta vez não foi diferente. A esteriotipada dona de casa bêbada poderia levar a estatueta só pela sua performance de Live and Let Die. Mas fanzices a parte, assistirei as demais candidatas antes de opinar na categoria. 

Agora, para a estatueta de melhor ator coadjuvante, chegou o cara que eu estava esperando, para desbancar Jonah Hill e abrir a concorrência. Bradley Cooper está sensacional, seu personagem, como todos os últimos do rapaz, bastante intenso e dramático. Ao ponto que a megalomania do personagem se amplia, seu destaque só aumenta. Ainda aposto algumas fichas em Jonah, mas o talento demonstrado e o carisma do menino Cooper me faz puxar a brasa, de leve, para sua sardinha.  

A indicação de melhor roteiro, para mim, tem seu valor pelo bom uso da não linearidade cronológica, o que também dá créditos a indicação para a estatueta de melhor montagem. E assim como eu previa, por uma questão de simpatia pessoal, Trapaça já é disparado meu favorito a estatueta de melhor figurino, já que tenho toda uma queda por tudo que é ambientado nos anos 70. Inclusive, a trilha sonora é outro dos fatores que me ganharam. Clássicos dos anos 70 como Goodbye Yellow Brick Road e a já citada Live and Let Die, me fizeram pirar na cadeira.

Resumindo, Trapaça parece ter me agradado muito mais por conter uma série de elementos que aprecio do que pelo próprio filme em si. Não sei se apostaria neste para melhor filme, mas também não deixaria de apostar. É, inconclusivo.

Cris F Santana

Update: O filme não levou nenhuma das 10 estatuetas as quais foi indicado.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Especial Oscar 2014: Trapaça (Por Rodrigo Sansão)


(American Hustle)

Inicialmente não tinha a intenção de escrever sobre Trapaça, afinal minha parceira de blog, Cris F Santana já iria escrever sua crítica.  Não achei o trailer chamativo, a história parecia um pouco chata.
Porém, o fato de ter 10 indicações ao Oscar nos fez mudar de ideia e combinamos de ter uma crítica de cada para o filme.



Bem, assisti Trapaça e até me surpreendi. As atuações são simplesmente impecáveis. 

A começar pelo ator Christian Bale indicado como melhor ator. A produção do personagem é sensacional. Já não é o primeiro filme que ele é obrigado a mudar totalmente a aparência para atuar. Teve que engordar mais de 15 kg para viver o personagem Irving Rosenfeld,  um charlatão que é um dos pontos centrais da trama. Começou o filme brilhantemente, mas foi aos poucos sendo superado pelos seus companheiros de cena. A indicação é merecida, mas acho que não é o meu favorito para levar esse prêmio. 

Indicada como melhor atriz, Amy Adams interpretou Sydney Prosser,  a amante e companheira de golpes de Irving. Foi muito bem até o meio do filme, quando eu acho que se perdeu. Mas não pela atuação e sim pela personagem. A personagem que era forte no começo terminou sem nenhum destaque, poderia ter terminado melhor.

Bem, sobre Bradley Cooper, o cara arrebentou. Interpretou Richie DiMaso,  um agente do FBI que busca prender corruptos a todo custo. Atuação simplesmente sensacional. Foi brilhante do começo ao fim. Já conhecia alguns trabalhos bons dele em O Lado bom da Vida e Se beber não case, mas em Trapaça, ele se superou. Se não houver surpresas, o prêmio de melhor ator coadjuvante já é dele.

Já Jennifer Lawrence, terei que ser "do contra", diferentemente de todos os elogios que tenho lido sobre sua atuação, eu não gostei tanto! Gosto muito dos trabalhos da Jennifer Lawrence, mas sinceramente, nesse papel, não me convenceu. A impressão que deu é que ela demorou a se encaixar na personagem, Rosalyn Rosenfeld, a esposa traída de Irving. Só começou a melhorar da metade pro final e somente ai, demonstrou seu característico talento e conseguiu dar uma pilhada no filme. Compreendo que a personagem era complicada, mas em certos momentos pareceu um pouco exagerada. Torcerei pra ela no Oscar, mas apenas por um gosto pessoal mesmo.

O filme foi otimamente dirigido por David O. Russell, embora como Melhor Diretor, pra mim já é superado por Martin Scorsese de O Lobo de Wall Street. 

Nos prêmios mais técnicos (Figurino, Montagem e Design de Produção), o filme é favorito, sim. Claramente foi um trabalho muito bem feito. 

O filme peca apenas na historia. Particularmente é o ponto que não gostei. O ritmo do filme é bom e não é cansativo. Porém, a trama é um tanto quanto confusa e você fica no aguardo de uma reviravolta, de um desfecho impactante e o que recebe é um final cheio de clichês. A impressão que deu é que precisaram correr para terminar logo o filme, muitas coisas ficaram mal explicadas e não consigo dizer por exemplo que grande trapaça é essa afinal. A trapaça do FBI, a trapaça dos vigaristas, a trapaça da máfia?

Dos filmes que assisti, indicados a melhor filme esse foi a historia mais fraca. Costumo pesar muito o filme através da história, embora seja muito bem feito e construído, não tem minha preferência, principalmente para Melhor Filme.

E você Cris F Santana, o que achou do filme? 

Resposta no próximo post :)

Update: O filme não levou nenhuma das 10 estatuetas as quais foi indicado.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Especial Oscar 2014: Frozen - Uma Aventura Congelante (Por Cris F Santana)


Sim, a ideia inicial do nosso especial Oscar era nos ater aos filmes indicados a melhor filme. Mas depois de assistir Frozen, não havia como não falar algo sobre ele.



Frozen é um filme Disney por Disney. O formato, a diagramação, a qualidade de arte, seguem o alto padrão dos filmes da marca. O que faria do filme mais um clássico Disney se não fosse um ponto: ele não tem o esteriótipo Disney. Sabe aquela ideia construída que a princesa precisa de um príncipe pra salvar sua vida com amor e só assim ser feliz para sempre? Sabe aquela ideia que toda mulher mais velha é recalda e vilã? Pode esquecer tudo. Este filme desmonta todas essas ideias engessadas e traz um novo formato de história, bem mais interessante e surpreendente.

Outro ponto que gostei bastante no filme é o tom de musical. Muitas partes da história são contadas com canções, como fã de musicais, só tenho elogios e, além disso, achei todas as canções muito bem colocadas. Mas nesta parte não posso considar exatamente o mesmo que os jugadores da academia pois assisti a versão dublada. Aliás, por ter assistido a versão dublada, não posso deixar de elogiar o trabalho do Fábio Porchat, cedendo sua voz para o carismático Olaf, o boneco de neve falante (e muito falante). 

Dos indicados a melhor longa de animação assisti, além deste, apenas ao Meu Malvado Favorito 2. E confesso não saber escolher entre estes dois para qual vai meu voto pela estatueta. 

Enfim, deixo a recomendação. Não deixem de assistir!

Cris F Santana

ps. Aceito, de coração, ser presenteada com bonequinhos do Olaf, me apaixonei por esse carinha!

Update: O filme venceu o Oscar de Melhor Animação e o de Melhor Canção Original.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Especial Oscar 2014: A Menina que Roubava Livros (Por Rodrigo Sansão)

(The Book Thief - 2013)

Li o livro da Menina que roubava Livros no ano passado e ouso dizer que foi uma das histórias mais tocantes que li nos últimos tempos. Não é fácil avaliar um filme fazendo um paralelo com o livro. Adaptações são sempre complicadas de serem analisadas.



Antes de assistir ao filme, li algumas críticas a respeito. Por incrível que pareça, muitas críticas negativas. A maioria critica o ritmo lento do filme ou então a falta de talento desse ou daquele ator.

Bom, sendo mais direto possível e sem enrolação, o filme é ótimo. Desculpem os radicais críticos de cinema ou intelectuais estudiosos de interpretação e bla bla bla.

Como adaptação, o filme seguiu a risca quase todos os principais pontos do livro, levou emoção nos momentos certos, foi coerente com a trama, mudou apenas pontos estratégicos comuns de qualquer adaptação de livro. Todos os principais personagens foram exatamente como eu imaginei enquanto eu lia o livro. Não tenho porque criticar a adaptação.

Deixando as comparações ao livro de lado, sim, o ritmo é lento, mas precisamos considerar que a história necessita desse tempo pra poder se desenrolar, pra poder explorar os personagens nas suas mais profundas angustias e seus anseios.

A história é tensa e angustiante. Nada mais realista para uma cidade da Alemanha Nazista que está prestes a entrar em guerra. A devoção a Hitler, as perseguições aos judeus. Preconceito, racismo e intolerância. Num cenário manchado de sangue, Liesel Meminger, a menina que roubava livros,  caminha seguido de perto da Morte, narradora irônica e debochada.

Mesmo como todo esse clima pesado, achei que o filme ficou até leve. Teve um humor sútil. Foi gostoso de assistir. A trama se desenrolou naturalmente e sem exageros.

Sobre as atuações, Sophie Nélisse fez o trivial interpretando  Liesel Meminger, a protagonista do filme. Não conheço a atriz, mas tem talento e um grande futuro pela frente. Sinceramente não me impressionou, mas também não fez feio.  Digo o mesmo para Emily Watson, Ben Schnetzer e Nico Liersch, que interpretaram respectivamente Rosa Hubermann, Max Vanderburg e Rudy Steiner. Os três também foram muito bem.
Porém, tenho que destacar a atuação de Geoffrey Rush como Hans Hubermann, o pai de Liesel. Interpretação simplesmente brilhante. Pena que não concorrerá a nenhum premio da academia, pois seria muito merecido.
Li algumas críticas em relação ao diretor Brian Percival, principalmente em função da sua pouca experiência, o que considero também injustas, tecnicamente o trabalho foi bom.

Infelizmente, o filme foi indicado apenas ao prêmio de melhor Trilha sonora. Quanto a esse prêmio não tenho muito o que opinar, não vi nada demais em relação a trilha sonora, por isso acho que não irá levar essa. Uma pena, pois eu colocaria facilmente entre os indicados ao melhor filme.

Por fim, o filme é muito bom. Cinematograficamente falando não é espetacular, mas é emocionante. A bela história compensa qualquer limitação técnica. Existem grandes chances de você acabar com lágrimas nos olhos no final. E se o filme é bom, o livro é excelente, se tiver a oportunidade, leia, recomendo, você irá se arrepiar.

Update: O filme não levou o Oscar de Melhor Canção Original ao qual foi indicado.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Especial Oscar: Lobo de Wall Street (Por Cris F Santana)

(The Wolf of Wall Street)

Minha vez de falar sobre o filme.

Lobo de Wall Street é o tipo do filme que você já vai pro cinema sabendo que vai ver um baita filme. Até porque, o filme tem 3 horas de duração, grande será de qualquer jeito.
Mas o que esperar, se não muito, de um filme com cinco indicações na academia e entre elas a de melhor filme?



Minha opinião, encontrei no cinema exatamente aquilo que esperava. Validando sua indicação para melhor diretor, Martin Scorsese nos apresenta mais um filme ao seu estilo, ou seja, diferente de todo o resto. Sem pudores desnecessários, sem filtros moralistas, o diretor apresenta a história do milionário de Wall Street em todas as suas nuances mais intensas. Muito sexo, muitas (muitas) drogas e muita ostentação. 

Eu arriscaria dizer que Leo DiCaprio, neste filme, cheira mais cocaína do que naquele seu filme de estreia Diário de um Adolescente (de 1995, com um Leo novinho, novinho). E por falar em Leonardo DiCaprio, o ator neste filme não é um protagonista é O protagonista. Já faz alguns filmes que acho que Leozinho merecia ter levado a estatueta como melhor ator e nesta atuação não se faz diferente. Jordan é lascivo e encantador ao mesmo nível. Mais um personagem ímpar na carreira do ator. É o primeiro dos indicados a melhor ator que vejo, mas já inicia com meu voto. 

Outro que tem meu voto, é Jonah Hill como melhor ator coadjuvante. Em alguns momentos da história o caricato Donnie se destaca ao ponto de se confundir com o protagonista. Os outros indicados a esta estatueta terão que ter feito algo muito excepcional pra merecer mais que este cara.

Quanto a indicação de melhor roteiro adaptado, deixarei para comentar quando tiver parâmetro comparativo, já que este é o primeiro da categoria que assisto.

Uma curiosidade pessoal foi a atriz que interpreta a esposa do Jordan, o protagonista, a jovem e (muito) bela Margot Robbie. Passei o filme inteiro tentando me lembrar de onde eu conhecia a moça. E depois de rápida pesquisa descobri que a bela atriz tem apenas um único outro papel de "destaque" na carreira, na série televisiva Pan Am (e eu faço parte da meia dúzia de pessoas que assistiu a série toda). Apesar da aparente inexperiência, Margot flui com muita química com o monstro Leo DiCaprio e merece ser elogiada.

Falar que não senti as três horas de duração do filme seria mentira, ali pela segunda hora e meio o pensamento "É longo né?!" deus umas voltas por aqui. Mas, em contra partida, não consigo imaginar muito do filme que poderia ser cortado sem ferir a história. É sim um baita filme, Scorsese mantém meu conceito, e me convenceu que merece estar entre os escolhido da Academia.

por Cris F Santana

Update: O filme não levou nenhuma das estatuetas as quais foi indicado.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Especial Oscar 2014: O Lobo de Wall Street (Por Rodrigo Sansão)


Inaugurando aqui o blog, já começaremos com o Especial Oscar 2014. Tentaremos falar um pouco sobre cada um dos filmes indicados ao Oscar. Nossa meta é assistir e escrever todos eles até o dia de cerimônia. Boa sorte pra nós e vamos lá. 

Sobre o filme O Lobo de Wall Street o que posso dizer é que se trata de um filme pilhado.  Martin Scorsese dirige o filme que nos alucina com pitadas de loucura, muito sexo, muitas (mas muitas) drogas e muita "ostentação". 



[contém SPOILER]


A história narra a trajetória de Jordan Belfort, interpretado por Leonardo DiCaprio. Desde cedo, Jordan mostra seu potencial para os negócios e consegue uma oportunidade de trabalho na Bolsa de Valores de Wall Street. Em pouco tempo, torna-se corretor da Bolsa e quando esperava arrebentar nos negócios,  acontece o Black Monday, dia que despencou as principais ações e fez com que Jordan perdesse seu emprego. Longe de desistir, ele descobre uma forma de dar a volta por cima e ganhar muito dinheiro. Através de ações de empresas menores e polpudas comissões, Jordan se junta a alguns ex parceiros, vendedores pouco comuns e abre a Stratton Oakmont, empresa pela qual lhe daria muito dinheiro.
Com sua lábia, conquista, motiva e ensina seus funcionários a venderem e serem os melhores no que fazem. A empresa se torna uma selva, muita gritaria, muita vibração e muitos negócios. O sucesso traz então para Jordan e seus parceiros muito dinheiro e suas obvias consequências como  mansões, carros, iates, helicópteros e todas as futilidades possíveis e imagináveis. Além de desfrutarem de todo o tipo de droga e de  todos os prazeres sexuais que tenham direito.
Mas não é apenas de glórias que vive Jordan Belfort. Vislumbrado com o dinheiro e fama, Jordan  começa a deixar rastros de ilegalidades e se torna alvo de investigações  e perseguido pelo FBI.  Para piorar, ele precisa administrar os problemas entre seus desequilibrados sócios e ainda manter vivo seu casamento que está por um fio.

Mesmo que aparentemente pareça uma temática pesada, chama atenção a quantidade de cenas de sexo durante o filme. Para os mais moralistas, o filme irá chocar.  Cenas de masturbação e orgias são comuns no filme. O uso de drogas também é frenético.  A mistura de sexo e drogas parecem ser a representação da loucura resultante da abundancia de dinheiro.

Por curiosidade, tente contar quantas vezes alguém diz a palavra "fuck" durante o filme, segundo me contaram foram mais de 500 vezes. 

O ponto negativo do filme é a duração. São "apenas" 3 horas de duração. Por mais que o ritmo acelerado e frenético te distraia, você vai acabar bocejando algumas vezes enquanto assiste. Algumas cenas são um tanto desnecessárias e na minha opinião daria pra cortar pelo menos 1 hora de filme tranquilamente que não perderia a sua essência.

Quanto as indicações, todas são justas.

Martin Scorsese mais uma vez mostra porque é um gênio do cinema, fez um filme impecável. Tornou o filme com uma temática séria em um filme quase pastelão muito bem humorado e gostoso de assistir (embora repito, peca nas 3 horas de duração).

 Jonah Hill, como melhor ator coadjuvante, interpretando  Donnie Azoff, melhor amigo e sócio de Jordan, trabalhou tão bem o personagem que por vezes sobressaiu o próprio Jordan. 

E por fim, Leonardo DiCaprio que mais uma vez arrebentou na interpretação. Foi impecável como na maioria de seus papéis. Consegue contornar alegrias, tristezas, amor e ódio como se fosse brincadeira. O papel de motivador da equipe lhe caiu muitíssimo bem.
Porém, algo de Jordan me remete ao papel que interpretou em "Prenda-me se for capaz", talvez pela esperteza e pela ganancia de ambos. 
Admito que não é o meu favorito ao Oscar, embora seja bem merecido.

Quanto as outras indicações, Roteiro Adaptado e Melhor Filme, não acredito que possam ganhar, mas é muito mais por opinião pessoal mesmo do que por questão técnica. 

Achei o filme muito louco, alucinante e frenético. Embora o tema fuja das minhas preferencias e simplesmente não me toca. É um daqueles filmes muito bons,  mas que só se vê apenas uma vez, até porque né, são 3 horas na frente da telinha!! 

Update: O filme não levou nenhuma das estatuetas as quais foi indicado.
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