quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Especial Oscar 2015: Sniper Americano (Por Cris F Santana)

(American Sniper - 2014)

Com seis indicações ao Oscar 2015, o filme biográfico Sinper Americano é o que costumo chamar de "típico filme padrão da cerimônia". Aquele filme de guerra, contra o terrorismo, onde os americanos são os heróis que defendem o resto do mundo da crueldade dos radicais islâmicos. Destes onde, até mesmo, os cartazes do filme exibem o soldado herói envolto na bandeira americana.

American Sniper

Porém, o ponto de vista do filme, traz um outro ângulo desta visão. Vemos enfatizados os traumas causados pela Guerra na vida dos soldados. Como matar, mesmo assumindo a ideia de que o inimigo é um ser cruel, é um gerador de efeitos catastróficos na mente do soldado. E no meio destes soldados, temos o atirador de elite, ou sniper, Chris Kale. Um típico garoto do interior que cresceu sob fortes princípios patriarcais de que devia defender os "seus" acima de qualquer atitude. Que se vê, aos trinta anos, diante dos atentados de 11 de setembro contra as Torres Gêmeas, na obrigação de defender seu país. Kale é um dos mais ufanista soldados. Em nenhum momento se nota nele algum tipo de dúvida sobre os motivos de sua luta no Iraque. Mesmo torturado mentalmente por memórias de situações de guerra, e pelos seus incontáveis assassinatos, a defesa de "seus garotos" como chama os soldados de seu batalhão é pra ele uma obrigação. Kyle tem a necessidade de combater e cumprir seu objetivo de eliminar aqueles que vem assassinando seus companheiros ou ameaçando seu país. Pelo outro ângulo acompanhamos pequenos detalhes da vida do medalhista olímpico iraquiano que tornou-se, também, um atirador de elite, do lado adversário.
Os conceitos de crueldade usados pelos chamados terrorista, contra os ocidentais ou mesmo contra compatriotas que em algum momento não compactuam com seus ideais, são explorados ao máximo, beirando os limites do exibível a quase todo o momento.

É um bom filme. Um filme de história de guerra. Não assistimos a um roteiro surpreendente ou excepcional. As impressões de guerra retratadas são mais marcantes do que a própria história. Assim como suas decorrências na vida pós guerra de Kyle e sua relação com sua família.
Da indicação a melhor filme, diria que é um filme bem feito. Principalmente ao que se propõe. Mas necessito assistir ao demais indicados para posicioná-lo em alguma condição de merecer o título de melhor filme, ou não. Não conheço o livro que deu origem a adaptação de Jason Hall, indicada também a melhor roteiro adaptado, mas admito que considerei os vieses da história bem trabalhados. A indicação de Bradley Cooper a estatueta de melhor ator por sua interpretação do protagonista biografado pareceu mais um prosseguimento do padrão de idealizar o personagem herói americano, que mencionei ao começo. Não que não considere Bradley um ótimo ator, pelo contrário, ele está sim em uma fase ímpar de interpretações que o fizeram merecer todas as suas últimas indicações e estatuetas. Porém, não acredito que este personagem, especificamente, tenha exigido tanto da interpretação do ator como os demais. A indicação a estatueta pela Montagem do filme é merecida. As idas e vindas e os avanços na história são facilmente compreensíveis e contribuem para o desenvolvimento da narrativa. A película também recebeu indicações de mixagem e edição de som, categorias que se destacam naturalmente em um filme de guerra, onde tiros, explosões e diálogos em meio a isso tudo são constantes.

Assim como, provavelmente, todos os outros filmes indicados ao Oscar de melhor filme do ano, este, que estréia nos cinemas brasileiros em 19 de Fevereiro, é um filme que merecesse ser visto. Principalmente pela sua qualidade de execução.

(Cris F Santana)

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