sábado, 27 de dezembro de 2014

A Entrevista (Por Rodrigo Sansão)





Bateu a curiosidade pra assistir este que é um dos filmes mais polêmicos do ano. 
Sem delongas, o filme é muito mais polêmico do que bom!!
Se você está curioso, e acha o assunto interessante, vale a pena. Se está interessado na comédia, em rir e se divertir, esqueça. 

A história começa mostrando o sucesso do programa de entrevistas do apresentador Dave Skylark (James Franco). Depois de descobrirem que o líder norte-coreano  Kim Jong-un (Randall Park) é fã do programa, Dave e seu produtor Aaron (Seth Rogen), são convidados para realizar uma entrevista com o ditador, dentro da Coréia do Norte. Com a possibilidade de estarem frente a frente com um dos maiores inimigos dos EUA, os dois são recrutados para assassinar Kim Jong-un. Dai começa uma série de situações dentro da Coréia do Norte, mostrando a realidade maquiada pelo governo norte-coreano e um pouco da vida do ditador, regada de mimos, luxo e poder, ao mesmo tempo tentando passar a imagem de uma pessoa solitária, carente e por vezes divertida.

O filme é muito mal conduzido, confuso, cheio de situações sem pé nem cabeça.
Dignas de uma "comédia-pastelão". Das atuações, apenas o ator James Franco se salva, interpretando o divertido apresentador Skylark.
Chega a ser interessante a manipulação do governo, a idolatria forçada a Kim, os gostos exóticos do ditador, mas não passa disso. Só chamará sua atenção pelo fato do filme apresentar algo desconhecido do público e atiçar a sua curiosidade sobre como é por dentro do país mais fechado do mundo. 

Se não tivessem hackeado e ameaçado a Sony, e com isso, feito todo esse alvoroço, o filme certamente passaria despercebido. Não posso dizer que perdi meu tempo assistindo, mas não assistiria de novo. 


domingo, 14 de dezembro de 2014

Globo de Ouro 2015 - Indicados

Com uma lista um tanto quanto mais underground do que o estrelático Oscar, foram divulgados os indicados Globo de Ouro 2015.

Anúncio dos Indicados



Os indicados em Cinema são:

Melhor filme dramática:
Boyhood
Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
O Jogo da Imitação
Selma
A Teoria de Tudo

Melhor atriz em filme dramático:
Jennifer Aniston - Cake
Felicity Jones - A Teoria de Tudo
Julianne Moore - Para Sempre Alice
Rosamund Pike - Garota Exemplar
Resse Witherspoon - Livre

Melhor ator em filme dramático:
Steve Carell - Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
Benedict Cumberbatch - O Jogo da Imitação
Jake Gyllenhaal - O Abutre
David Oyelowo - Selma
Eddie Redmayne - A Teoria de Tudo

Melhor filme cômico ou musical:
Birdman
O Grande Hotel Budapeste
Caminhos da Floresta
Pride
Um Santo Vizinho (St. Vincent)

Melhor atriz em filme cômico ou musical:
Amy Adams - Grandes Olhos
Emily Blunt - Caminhos da Floresta
Helen Mirren - A Cem Passos de um Sonho
Julianne Moore - Mapa para as Estrelas
Quvenzhané Wallis - Annie

Melhor ator em filme cômico ou musical:
Ralph Fiennes - O Grande Budapeste Hotel
Michael Keaton - Birdman
Bill Murray - Um Santo Vizinho (St. Vincent)
Joaquin Phoenix - Vício Inerente
Christoph Waltz - Grandes Olhos

Melhor atriz coadjuvante:
Patricia Arquette - Boyhood
Jessica Chastain - A Most Violent Year
Keira Knightley - O Jogo da Imitação
Emma Stone - Birdman
Meryl Streep - Caminhos da Floresta

Melhor ator coadjuvante:
Robert Duvall - O Juiz
Ethan Hawke - Boyhood
Edward Norton - Birdman
Mark Ruffalo - Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
J.K. Simmons - Whiplash: Em Busca da Perfeição

Melhor diretor:
Wes Anderson - O Grande Budapeste Hotel
Ava Duvernay - Selma
David Fincher - Garota Exemplar
Alejandro González Iñárritu - Birdman
Richard Linklater - Boyhood

Melhor roteiro:
Wes Anderson - O Grande Hotel Budapeste
Gillian Flynn - Garota Exemplar
Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Armando Bo - Birdman
Richard Linklater - Boyhood
Graham Moore - O Jogo da Imitação

Melhor filme em lingua estrangeira:
Tangerines (Estônia)
Força Maior (Suécia)
Gett (Israel)
Ida (Polônia)
Leviatã (Rússia)

Melhor longa animado:
Operação Big Hero
Festa no Céu
Os Boxtrolls
Como Treinar o Seu Dragão 2
Uma Aventura LEGO

Melhor trilha sonora original em filme:
Alexandre Desplat - O Jogo da Imitação
Jóhann Jóhannsson - A Teoria de Tudo
Trent Reznor, Atticus Ross - Garota Exemplar
Antonio Sanchez - Birdman
Hans Zimmer - Interestelar

Melhor canção original em filme:
"Big Eyes" - Grandes Olhos por Lana Del Ray
"Glory" - Selma por John Legend e Common
"Mercy Is" - Noé por Patty Smith e Lenny Kaye
"Opportunity" - Annie por Greg Kurstin, Sia Furler, Will Gluck
"Yellow Flicker Beat" - Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1 por Lorde

Além destes, a premiação também conta com uma lista de indicações em TV.

Cris F Santana.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

O Pequeno Príncipe - Trailer


E foi lançado, pela Paramont Francesa, o primeiro trailer oficial de O Pequeno Príncipe.

Como já era de esperar, anunciando um filme tão leve e gracioso quanto a história deste que é um dos livros mais lidos e queridos que conheço.

Meu destaque particular: A versão de Lily Allen ao piano de Somewhere Only We Know. Expressa com maestria o tom que história merece ter.. 


A película tem direção de Mark Osborne de Kung Fu Panda.

Por Cris F Santana

domingo, 23 de novembro de 2014

Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1 (Por Rodrigo Sansão)


E um dos filmes mais aguardados do ano finalmente está no cinema!! Obviamente que o C de Caneca foi conferir. 

Bom, antes de mais nada, minha opinião sobre os livros da trilogia dos Jogos Vorazes: Devorei todos os 3 livros com requeijão e batata palha.(Essa é pra você CrisFSantana). 
A trilogia é muito boa mesmo!! Se você tiver a oportunidade, leia!

Mas hoje, tentarei fugir dessa análise pra não contaminar a análise do filme. Partirei direto para o terceiro filme, considerando que você, leitor, já assistiu os anteriores. 

O filme começa com Katniss Everdeense adaptando a rotina no Distrito 13. Depois de resgatada durante os últimos jogos, Katniss precisa liderar a revolta que acontece em todo país. O Tordo representando a esperança através de Katniss é explorado pelos rebeldes para motivar todos os distritos contra Capital. Tendo que enfrentar seus medos, angústias e ao mesmo tempo defender sua mãe, sua irmã e Peeta que fora capturado pela Capital comandada pelo Presidente Snow

Achei desnecessário dividir Esperança em duas partes, não há tantos fatos relevantes que expliquem essa divisão em dois filmes. Mas se foi dividido,  "A Esperança - parte 1", cumpre o seu papel. Mostra os conflitos políticos, os bastidores do poder, estratégias de guerra, tensão psicológica, a motivação nas revoltas e o começo da revolução.  Finalmente, os distritos começam a se rebelar contra as barbáries do governo totalitário da Capital . E justamente essas revoltas são as cenas que ganham o filme. 

O ponto negativo, na minha humilde opinião, é esse pseudo romance, que ninguém entende, entre Katniss e Peeta. Sim, tenho certa implicância com o Peeta. Por vezes,  Peeta tem atitudes de índole duvidosa, algumas inclusive claramente covardes e mesmo assim é idolatrado por Katniss. Acho a relação que Katniss tem com Gale muito mais bonita e sincera do que com Peeta.

Enfim, tirando alguns contras (a maioria por conta da própria história do livro), o filme é ótimo. Jennifer Lawrense tem sua melhor interpretação da série. Gostei muito da Julianne Moore interpretando a presidente do Distrito 13 e Philip Seymour Hoffman fazendo sua última aparição como Plutarch Heavensbee.  No geral a adaptação é muito bem feita e muito bem dirigida. 

Não chega a superar Em Chamas como adaptação, mas consegue ser igualmente fiel ao livro. 
Vale o ingresso! E no final ficará com água na boca pela continuação. 




segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O Mordomo da Casa Branca (Por Rodrigo Sansão)



Hoje vou escrever um pouco sobre o filme "O Mordomo da Casa Branca". 

O nome do filme pode te sugerir um filme de comédia "trash" da Sessão da Tarde, mas não, não se enganem, "O Mordomo da Casa Branca" é um filme muito melhor do que você possa imaginar. Um drama muito bem  dirigido por Lee Daniels que retrata o comportamento da sociedade norte-americana dividida pelas questões raciais do século passado.

Baseado numa história real, a trama acompanha a história de Cecil Gaines, interpretado pelo brilhante  Forest Whitaker,  como mordomo na Casa Branca  entre 1952 à 1986. 

O elenco ainda inclui Oprah Winfrey, Cuba Gooding Jr., Robin Williams, John Cusack, Lenny Kravitz e Jane Fonda. 
(Ah e também a pequena participação de Mariah Carey, que só fui perceber depois do fim do filme e antes de começar a escrever esse post rs)

O filme tenta fazer um paralelo entre o período em que Cecil trabalhou na Casa Branca e os acontecimentos históricos na luta pelos direitos civis dos afrodescendentes norte-americanos. 

Próximo dos homens mais poderosos dos Estados Unidos da América, Cecil tenta cumprir seu dever e não se intrometer em assuntos políticos. Ao mesmo tempo, precisa lidar com os problemas com seu filho, Louis, interpretado por David Oyelowo.  Enquanto Cecil defende seu emprego e prefere ignorar as injustiças que ocorrem a sua volta, Louis se sente envergonhado pelo trabalho de seu próprio pai e luta arduamente pela causa se envolvendo em protestos e movimentos por todo o país.  Definitivamente, dois personagens conflitantes e complexos que ditam o ritmo de toda história.

O filme tem cenas chocantes e a menos que você tenha sangue de barata, em algumas cenas seu sangue vai subir.  Por vezes ficamos nos perguntando como que o ser humano consegue ser tão desprezível a ponto de achar que a cor da sua pele o torna superior a outro ser humano. E mais triste saber que o racismo ainda está a nossa volta, deixando rastro de dor e ódio pra todos os lados.

Enfim, mesmo com alguns deslizes em relação ao ritmo (ora muito rápido, ora muito intenso), mesmo maçante devido a mais de 2 horas de filme, você irá gostar e não irá se arrepender de assistir!!! Recomendo!!




quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Filme: Elena: Elena (Por Cris F Santana)


"Nossa mãe sempre me disse que eu poderia morar em qualquer lugar do mundo, menos Nova York. Que eu podia escolher qualquer profissão, menos ser atriz. No dia 4 de setembro de 2003 eu me matriculei no curso de teatro na Universidade de Columbia." 

Assim começa este documentário que podia ser uma ótima história de ficção, se não fosse uma história de realidade.

Um dos dois brasileiros na pré-lista de Melhor Documentário no Oscar 2015 (O outro é "This is not a ball" de Vik Muniz) Elena é dirigido e produzido pela atriz Petra Costa

Desde antes do seu lançamento, em 2012, este filme me despertou interesse. A forma intrigante como foram elaborados seus trailers (aqui) que, em vez de cenas do filme, traziam depoimentos de renomados artistas, como Wagner Moura, Alexandre Borges, Julia Lemmertz e Leticia Sabatella elogiando a pessoa Elena. Quem é Elena? Real? Ficção? 

O filme a princípio segue a mesma linha intrigante, a irmã caçula Petra nos apresentando Elena. O carinho da relação entre as irmãs é evidente e tocante. O tom é de admiração, a irmã mais velha atriz, o ídolo, o porto seguro.  Passamos boa parte do filme tentando conhecer melhor Elena. Como é Elena? Por que Elena?

A montagem é bela, é densa, é forte. Como se Petra tivesse mantido por vários anos toda a história de Elena, misturada com a sua, guardada em uma caixa grande e escura e de repente jogasse essa caixa contra uma parede branca e a caixa se parte e se esparrama. E uma grossa tinta de história se espalha na tela: "Toma! Assiste!" 
Uma exposição de alma e da alma.

Mais do que a história da pessoa e da atriz Elena Andrade, é também um pouco da história de Petra. Ou a mistura delas.

A trilha sonora marcada por melodias instrumentais, dessas que se colocam em fitas de melhores momentos de anos que se passaram, merece um elogio a parte.

Alguns dirão que Elena é um filme pesado. Eu direi que é profundamente belo.
"Pouco a pouco as dores viram água e vão embora."

Fica a minha torcida para que seja um dos escolhidos para a lista final do Oscar.

Cris F Santana





quinta-feira, 8 de maio de 2014

Cult de Quinta: Os Intocáveis (por Espanhol)


Fala galerinha! Tudo bem com vocês? Espero que sim! Mais uma semana se passou, mais uma quinta chegou e mais um cult o Espanhol criticou! hehehe... O filme dessa semana é um dos clássicos que abordam a temática dos gangsters e máfia estadunidense, Os Intocáveis do diretor Brian de Palma, o filme é leitura obrigatória aos amantes do gênero, ao lado da saga Poderoso Chefão, Os Bons Companheiros, do próprio Scarface e do recente O Gangster. De Palma da uma aula de técnica com uma montagem impecável e um elenco vibrante e ensina como poucos a como contar uma boa histórica, que capta muitos elementos reais, dos grandes gangster do século XX. 

Do aclamado diretor Brian de Palma (de trabalhos marcantes como Carrie, a Estranha e Scarface), Os Intocáveis é um mergulho de corpo e alma no sistema de crime organizado, mais conhecido como a máfia, da década de 30 nos Estados Unidos. Nesse contexto, um grupo especial (e pouco ortodoxo) de policiais se dispõe a derrubar o maior gangster da cidade, o famigerado Al Capone e sua rede criminosa de tráfico de bebida alcoólica, que opera no auge da Lei Seca que rege o país.

Às vezes você não precisa de muita originalidade para contar uma boa história. Às vezes você precisa de uma boa história com uma pitada de originalidade, e é isso que entrega, com muita qualidade, Os Intocáveis de Brian de Palma. Em uma época onde o gênero máfia era largamente explorado por Hollywood, contando com filmes icônicos como a franquia O Poderoso Chefão e o próprio Scarface seria difícil apresentar algo totalmente novo sobre o tema, porém, trazendo as câmeras para o lado dos “mocinhos” e adicionando a irreverencia certa ao grupo, amarrado com grandes atores e grandes atuações fica fácil entender como todos os universos de mafiosos podem apresentar uma história razoavelmente batida e ainda sim surpreender e apresentar um resultado excepcional se tratando de cinema.

O agente federal Elliot Ness (Kevin Costner) foi incumbido da difícil tarefa de combater o tráfico de bebidas alcoólicas na corrupta Chicago dos anos 30, cidade comandada pelo gangster-celebridade Al Capone (Robert De Niro), ao tentar chegar causando impacto, seus esforços são desacreditados devido a uma batida seguindo uma pista errada que vira motivo de chacota na corporação, sem saber ao certo em quem confiar, Elliot conhece um veterano guarda de rua chamado Jim Malone (Sean Connery) e junto com sua ajuda monta um caricato time de operações junto com o contador (e agente) Oscar Wallace (Charles Martin Smith) e o recruta com boa pontaria George Stone (Andy Garcia). Os quatro agentes honestos logo ganham notoriedade graças às informações de Malone sobre um local de armazenagem de bebida, e após o sucesso da batida realizada, o grupo ganha a alcunha de Os Intocáveis.

Parece que já ouvimos essa mesma história antes não é mesmo? Policial desacreditado reúne um grupo honesto em uma cidade de pecados para lutar contra o crime organizado e corrupção, ah claro, o personagem de Costner ainda tem uma bela esposa e filha que, até o espectador mais distraído, sabe que em algum momento serão usadas pelo vilão contra nosso herói. Original não? Brincadeiras a parte, se a história não se destaca por sua originalidade com certeza se destaca por dois fatores fundamentais: sua montagem e a qualidade do elenco.

A montagem de Chicago nos anos 30 é impecável, fotografia, figurino e trilha sonora fazem um casamento harmônico fundamental na narrativa, vale destacar também o trabalho de câmeras de De Palma, principalmente nas tomadas de suspense, que apresentam cortes e planos que ora nos remetem a filmes mais antigos, com cortes secos na hora da execução de uma das personagens, por exemplo, até o acompanhamento da personagem em terceira pessoa, como se o telespectador estivesse vendo a ação seguindo os bandidos e mocinhos (vida a cena dos assassinos na casa de Malone).

Sobre o elenco é desnecessário dizer que o filme está muito bem servido de talentos. Kevin Costner como Elliot deixa transparecer toda vontade de realizar um feito que considera importante servindo a lei, por mais que deixe transparecer, que ele talvez não concorde com a mesma (Lei Seca), ele não se obstina de seu objetivo que é varrer a sujeira da cidade, porém, impondo seu limite: ele é um dos casos raros de policial que não quebraria a lei, para pegar o bandido. Sean Connery está (como sempre) ótimo no papel do policial veterano Malone que se vê cansado de acompanhar diariamente a desconstrução moral da sua cidade e, ao que tudo indica, sendo um policial honesto em uma cidade desonesta, custou a ele muito de sua carreira, visto que ele é apenas um guarda de rua, quando se encontra com Elliot pela primeira vez. Robert de Niro está impagável como o chefe impiedoso e canastrão Al Capone, pesquisem a imagem de De Niro no filme e uma foto real de Al Capone, fica claro a atenção de Brian aos mínimos detalhes da personagem, sendo que De Niro, apesar de ser o antagonista principal, fica com pouco tempo em cena para mostrar toda a personalidade e trejeitos do mafioso, mas sempre traz uma atuação singular a cada aparição.

Com diálogos sóbrios, temática batida, mas que se diferencia por oferecer atuações, montagem e até mesmo à construção da história de maneira fantástica, Os Intocáveis se diferencia de muitos outros filmes de mafiosos e conquista seu lugar de destaque como verdadeira obra prima de Brian de Palma, e tem um lugar de destaque como um dos clássicos obrigatórios a se ver se tratando de carcamanos em ternos de risca de giz comedores de massas.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Cult de Quinta: Chinatown (Por Espanhol)

(Chinatown)

E ae galera! Tudo bem com vocês? Espero que sim! Depois de um hiato de quase um mês sem cults estou voltando tentando voltar a ativa! hahahaha... O filme dessa semana é um dos clássicos policiais mais famosos de todos os tempos: Chinatown de Roman Polanski. Uma pedida certeira pra quem gosta do gênero e deseja assistir grandes atuações com um enredo original e envolvente que espero que deixem vocês, assim como eu fiquei, grudados na telinha até descobrirem o mistério que cerca nosso "herói" J.J. Gittes, imortalizado por nada mais, nada menos que o excelente Jack Nicholson.



Los Angeles, 1937. Um detetive particular, uma traição, uma esposa misteriosa, um assassinato e a construção de uma nova barragem de água na cidade dão o tom para uma das obras primas do controverso diretor Roman Polansk. Sentiu o clima noir? Polanski oferece um verdadeiro representante romântico-policial com o que o gênero trás de melhor: uma trama enigmática, reviravoltas, suspense e um enredo sublime.

J.J. Gittes (Jack Nicholson) é um detetive particular que investiga traições e outros casos escusos na caricata Los Angeles dos anos 30. Gittes recebe a visita de uma mulher misteriosa (Diane Ladd) que acredita que seu marido, Hollis Mulwray (Darrell Zwerling) engenheiro-chefe do Departamento de Águas e Energia, tem uma amante. Ao começar a investiga-lo, Gittes o fotografa com outra jovem e quando o caso se torna público, o detetive se vê envolvido com algo muito maior que um simples caso de traição, principalmente quando descobre que foi contratado por uma farsante ao se encontrar com a verdadeira Mrs. Mulwray (a belíssima Faye Dunaway).

O filme acerta em cheio na combinação da direção afiada de Polanski em conjunto com elementos como figurino, trilha sonora, fotografia e principalmente na escolha e a dedo dos atores que compõem elenco, dando uma áurea de verossimilhança com um roteiro memorável que, com toda certeza, muitas poucas películas do gênero conseguiram e irão conseguir ser bem sucedidas em realizar. Inclusive vale citar que, muito do que vemos hoje, com essa mesma temática, bebe da fonte de Chinatown.

A trama começa a ficar envolvente com o súbito “acidente” que ceifa a vida de Hollis Mulwray. Gittes, agora trabalhando para a verdadeira víuva Mrs. Mulwray, fica obcecado em descobrir a verdade sobre o porquê de ser envolvido no meio de uma teia de intrigas e segredos e conforme sua investigação, passo a passo, avança, o suspense cresce a cerca da verdade que o detetive conhece sobre a vida da recente viúva e também de seu passado nebuloso com seu pai, Noah Cross (John Huston).

A atmosfera passada enquanto acompanhamos os métodos e descobertas de Gittes, que o coloca em colisão com uma trama obscura, funciona como um verdadeiro caso a lá Sherlock Holmes enquanto nós, meros telespectadores vamos espiando as descobertas de nosso “tutor”, anotando e memorizando os fatos como faria nos contos o seu fiel escudeiro Dr. Watson. Outro acerto do filme é deixar o público com as mesmas informações que sua personagem principal, o que faz com que cada cena em que Gittes se aproxima da verdade nos faça questionar também as nossas teorias sobre o mistério que permeia a narrativa.

Tudo começa e tudo termina em Chinatown, popularmente conhecido com subúrbio chinês da grande cidade onde muitos, inclusive Gittes, considera ser uma “terra sem lei”. Chinatown está ligado a um passado como policial do detetive particular, passado também que alimenta uma rixa com seu ex-parceiro, o recém-promovido, delegado Escobar (Perry Lopez), que para os mais familiarizados com as estórias de Holmes, faria um paralelo perfeito com o conhecido Inspetor Lestrade.

A trinca de atores: Jack Nicholson, Faye Dunaway e John Huston dão o ritmo à fita. É sabido que o roteiro foi escrito tendo em mente que quem interpretaria J.J. Gittes seria Nicholson. Acredito que dispense mais comentários sob o resultado da atuação dele. A feame fatale Faye Dunaway está igualmente impecável. Misteriosa, sedutora e frágil na medida certa. Por fim, mas não menos importante, John Huston da à vida a um vilão curioso, que mesmo com pouco tempo em cena, passa uma imagem assustadora, principalmente quando é sabido do que o mesmo é capaz, para conquistar aquilo que ele deseja.

Alvo de muita discussão entre Roman e seu roteirista Robert Towne, o desfecho é um divisor de opiniões. Na minha, acredito que as personagens deveriam ter mais sorte! (Pois é acredito em finais felizes!), mas, como não se discute com 11 indicações ao Oscar e uma estatueta de Melhor Roteiro Original, vejo que a critica e a academia aprovaram o gosto amargo da realidade. “Forget it, Jake, it's Chinatown!”: É o conselho que resta ao nosso Holmes Noir.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Sexo, sexo e sexo: Nymphomaniac "Combo" Volume 1 e Volume 2


Hoje vou falar sobre um filme um tanto polêmico. Já pelo nome vocês já devem imaginar: Nymplhomanic, ou como quiserem na tradução: Ninfomaniaca. 

Pra começar Nymphomaniac é dirigido por Lars von Trier. Desconsiderando toda a antipatia de muita gente pela sua pessoa graças a suas declarações no mínimo polêmicas (e nem vou entrar nesta questão), Lars Von Trier é mestre em chocar.

O filme conta a história de Joe, interpretada pelas atrizes Charlotte Gainsbourg e Stacy Martin em suas diferentes fases da vida. Joe é encontrada machucada num beco  por Seligman, interpretado  por Stellan Skarsgard, um homem mais velho e aparentemente solitário, que lhe oferece ajuda. Enquanto se recupera na casa de Seligman, Joe explica ser viciada em sexo e narra suas experiências e tenta através delas explicar o porquê de se considerar uma pessoa má. 

O longa foi dividido em dois volumes, embora na minha opinião a razão de dividi-lo tenha sido muito mais uma jogada de marketing do que em função de sua duração.

O primeiro volume lançado ainda no começo de 2014 superou minhas expectativas. Nem preciso falar que o sexo está presente em boa parte do filme. Em alguns momentos, sexo explícito sem restrições. Embora, houvesse sexo em abundância, o que mais choca no filme são os exageros da personagem em se saciar. Sua obsessão por sexo chega ser engraçada. Preciso destacar a  participação especial de Uma Thurman. Pequena participação, mas genial. Resumidamente, o primeiro filme foi ótimo. Boas atuações, lindas fotografias e uma excelente trilha sonora tornam um filme gostoso de se assistir. Sexo é tratado sem pudor ou preconceito. Obviamente o filme termina com uma sensação de "quero mais", da expectativa logo de assistir o segundo.

Pois é, e foi o que eu fiz. E digo que o segundo volume foi um tanto decepcionante. Na história, Joe continua contando suas experiências para Seligman, porém experiências muito mais complicadas, muito mais pesadas e traumáticas. O segundo volume traz menos sexo e muito mais violência. Basicamente, o tom masoquista dominou o filme.
Paralelamente, Seligman aos poucos começa a mostrar sua personalidade e em algum momento sentimos o grande contraste das vidas de Joe  e Seligman.

A personagem de Joe acaba se perdendo e Seligman se torna cada vez mais chato durante os filmes, sua insistência em relacionar os contos de Joe com assuntos totalmente aleatórios chega a ser irritante. O segundo filme se torna cansativo e maçante.

Definitivamente, a parte final não me agradou, embora pelo conjunto da obra foram bons filmes, mas a história perdeu folego. Talvez se tirassem algumas partes desnecessárias (principalmente as "baboseiras" de Seligman) e tentassem reduzir a apenas um filme, o longa se tornaria melhor.  Mas valeu pelo entretenimento e recomendo para os curiosos de plantão.






quinta-feira, 20 de março de 2014

Cult de Quinta: Um Drink no Inferno (Por Espanhol)


Fala galera! Tudo bem com vocês? Espero que sim! Essa semana temos um filme roteirizado e interpretado por nada mais nada menos que Quentin Tarantino! O diretor-ator-roterista-produtor cumpre todos os requisitos com maestria para encher as páginas desse blog com vários trabalhos que, ao meu ver, são tão icônicos quanto o próprio. Não é incomum ouvirmos a palavra "tarantinesco" atribuído a várias películas ou cenas de filmes, enfim, apresento a vocês uma verdadeira "obra tarantinesca", dirigida por seu parceiro de longa data Robert Rodriguez.



Uma dupla de ladrões de banco violentos em fuga da policia, uma família inocente com um pai de família, ex-pastor, que perdeu a fé e um bar de motoqueiros mexicano de beira de estrada repleto de vampiros e criaturas monstruosas ao melhor estilo trash e gore.  Achou estranho que isso se passe em um único filme? Não para a dupla Quentin Tarantino e Robert Rodriguez que se divertem orquestrando uma caricata homenagem aos filmes B americanos nesse longa que atira primeiro e pergunta depois.

Um aviso: Se você busca um filme que faz questionamentos profundos ou que passa uma mensagem para uma vida melhor, ou daqueles que a Academia adora, esse filme não é para você. Agora, se você busca diversão barata, sangue e tripas de vampiros espalhadas pelo chão, chavões e clichês dignos do segundo escalão do cinema com uma pitada da magia de Hollywood, você está no lugar certo. Os irmãos Seth Gecko (George Clooney) e Richard Gecko (Quentin Tarantino) estão sendo procurados por um recente assalto a banco e pelo assassinato de 16 pessoas. Em meio a uma fuga desenfreada para atravessar a fronteira para o México, a dupla sequestra uma família de um ex-pastor e seu casal de filhos para conseguirem chegar ao seu ponto de encontro, um motoclube “misterioso” de beira de estrada.

Seria impossível começar a escrever essa crítica sem falar da aura tarantinesca que emana das cenas do filme. Logo a primeira sequência da película, o ator-roterista já nos da uma introdução super “sutil” sobre a personalidade dos irmãos Gecko. O frio, controlado e calculista Seth Gecko e do intemperado, explosivo e perturbado Richard Gecko e assim como temos em Pulp Fiction, a chamada inicial é calma e explicativa até um ponto de ruptura repentino. O resultado é o estopim de uma guerra em um posto de gasolina, onde tudo acaba pelos ares.
                
A sinergia de pensamentos de Rodriguez com Tarantino é fenomenal é possível ver claramente as ideias do segundo criando vida pela mão do primeiro de forma que o sentimento é que não se perde nada nos trabalhos de cada cena, inclusive, vale citar uma singela homenagem a memorável cena das gêmeas de Kubrick em O Iluminado, aonde as imagens cortadas vão aparecendo como flashs na tela, só que dessa vez mostrando o resultado do sadismo de Richard Gecko, ao molestar e assassinar uma mulher que havia sido sequestrada durante o roubo ao banco.

Os irmãos encurralam o ex-pastor Jacob Fuller (Harvey Keitel) e seus filhos Kate Fuller (Juliette Lewis) e Scott Fuller (Ernest Liu) em um hotel de beira de estrada onde estavam se escondendo.  Jacob então é obrigado conduzir seu trailer com sua família e os bandidos até o México e tem como garantia somente a palavra de Seth de que eles seriam libertados, após a escapada bem sucedida da dupla das autoridades. O grupo então se dirige ao ponto de encontro: o bar de motoqueiros Titty Twister.

A partir desse ponto, esqueça tudo que o filme já lhe mostrou de verossimilhança, depois da dança da sensual garota “Satanico Pandemonium” (Salma Hayek) os presentes se transformam em vampiros e demônios sedentos por sangue atacando e dilacerando todos os presentes, o filme transforma o bar em uma praça de guerra do “bem contra o mal”, onde bandidos viram mocinhos, mocinhos viram caçadores sanguinários e motoqueiros viram heróis, no maior estilo non-sense gore possível e imaginável.

Para quem não sabe do que se trata, até então, parece que estamos vendo outro filme, que nada tem a ver com a primeira parte da película, a qual é marcada pela tensão entre os irmãos e a família sequestrada. Já na segunda parte, Clooney rouba a cena como o anti-herói disposto a mandar de volta para o inferno à horda de criaturas malignas que decidiu fazer do grupo a refeição da madrugada de uma forma cômica e pouco ortodoxa.

Surpreendente e com a receita da dobradinha Rodriguez e Tarantino, Um Drink no Inferno se destaca por ser um produto de Hollywood com alma de filme B e oferece todos os elementos pra ser uma boa pedida para o gênero, afinal, quem precisa de um bom motivo quando simplesmente se pode assaltar bancos de dia e empalar vampiros mexicanos a noite, tudo isso acompanhado por um belo drink?

quinta-feira, 13 de março de 2014

Cult de Quinta: 500 Dias com Ela (Por Espanhol)

((500) Days of Summer) 

Fala galerinha! Tudo bem com vocês? Espero que sim! Como vocês, poucos e fieis leitores do C de Caneca puderam perceber, semana passada não tivemos Cult de Quinta devido a eu estar pulando o carnaval trabalhando no carnaval (Sim! Até na Terça!!!) e devo admitir que não me sobrou muito pique e muito menos ânimo para escrever... Porém, quase tudo voltou a normalidade, apesar de não ter assistido mais cults nesse meio tempo, a algumas semanas atrás escrevi algo sobre 500 Dias com Ela, ao rever o filme na TV e gostaria de compartilhar com vocês. Seria já considerado cult um filme tão recente? Talvez um pseudo-cult? Ou só mais uma comédia-romântica de baixo orçamento bem resolvida? Enfim, espero que até o final do post vocês consigam tirar suas conclusões sobre o filme que pra mim despeja a dose certa de realidade no mundo encantado das comédias-românticas.

Nem toda história de amor tem um final feliz, algumas tem épocas felizes e também data de validade. 500 Dias com Ela não é uma ode sobre relacionamentos fadados ao fracasso, mas sim uma amostra de como algumas coisas na vida tem simplesmente seu período certo para acontecer e modificar aqueles que ficam pelo caminho.

Para os espectadores mais desavisados, se você espera uma linda história de amor onde os mocinhos passam por dificuldades, mas no final seu amor supera tudo e eles são felizes para sempre, ainda há tempo de desviar seus olhos da telinha (e dessa crítica...) e escolher um bom livro do Nicholas Sparks para ler. Tom Hansen (Joseph Gordon-Levitt) é um arquiteto que trabalha em uma empresa de cartões em Los Angeles onde conhece Summer (Zooey Deschanel) a nova secretária de seu chefe. Tom se apaixona a primeira vista por Summer e com o passar do tempo, os dois vão ficando mais próximos até iniciarem um relacionamento, apesar das resalvas de Summer que afirma não querer um namorado e não acreditar no amor verdadeiro.

O filme se inicia com o rompimento do casal e depois vamos regredindo e avançando durante os 500 dias acompanhando a trajetória do relacionamento de Tom e Summer. O uso de uma narrativa não linear acerta em cheio com a proposta do filme, expondo desde o começo de seu interesse em Summer até o estado de confusão que se encontra Tom no presente, tudo sendo levado de forma com que nós, os espectadores de coração partido fiquem nos perguntando: “Mas poxa, onde que as coisas começaram a dar errado?”. Mas o fato é que não deram.

O primeiro ponto positivo do filme é começar quebrando alguns estereótipos sobre nosso “mocinho”, que claramente não saiu de um livro de novela de cavalaria como seus conterrâneos da terra das comédias românticas, na verdade, Tom não tem a menor ideia do que fazer para reconquistar a amada, inclusive, ele mal sabe o porquê das coisas terem saído tão errado quanto estão, vale a ressaltar a ajuda de sua irmã Rachel Hansen (Chloë Grace Moretz do também ótimo Kick-Ass) e seu amigo McKenzie (Geoffrey Arend) fazendo parte da turma do “a muitos outros peixes no mar”.

Deixo algumas menções também a dois pontos bem peculiares do filme, são a presença de um narrador onisciente e onipresente que faz observações singulares bem cômicas e conduz os telespectadores para atmosfera com o equilíbrio certo de como se encontra o estado emocional das personagens sem se tornar repetitivo ou muito didático e sobre uma cena em particular que faz a comparação entre Expectativa x Realidade de Tom, afinal, quem nunca criou diálogos ou cenas totalmente imaginárias e perfeitas em sua cabeça sobre amores, pessoas ou situações que na maior parte das vezes nunca vai acontecer?

Levitt e Deschanel tem uma ótima química, em um momento eles são o casal feliz e em outros bons amigos conversando durante uma viagem de trem, é interessante notar como apesar do afastamento inevitável, o casal deixa marcas que indicam uma mudança de rumo na vida de ambos. Summer reconhece que Tom tinha razão quanto à existência do amor, ele só havia errado o par e Tom decide sair de sua zona de conforto e traduzir sua energia não mais em seu amor não correspondido, mas na sua verdadeira vocação que é a arquitetura.

Claro em suas intenções, 500 Dias com Ela é um filme saboroso de como os relacionamentos realmente acontecem no mundo real, eles não são perfeitos, não tem frases de efeito e resgates de donzelas a cavalo, eles são sobre pessoas que conhecem pessoas, pessoas que buscam ser felizes e compartilhar com alguém com quem realmente se importam essa felicidade, pessoas que buscam ser melhores com seus parceiros e com eles mesmos, seja por 10 dias, 100 dias, 1000 dias ou, quem sabe, até o final da vida.


segunda-feira, 10 de março de 2014

Especial Oscar 2014: Comentários Finais (Por Cris F Santana)

Aproveitando a deixa lançada pelo Rodrigo Sansão, chegou a minha vez de comentar o que achei dos premiados no Oscar 2014. 

Começando por Designe de Produção, pela minha não qualificação para julgar dignamente categorias técnicas, não havia feito apostas para a categoria. Qualquer dos filmes que assisti tinha um equilíbrio perfeito para mim. O vencedor da estatueta foi O Grande Gatsby, infelizmente não assisti à esse filme, o que me desqualifica ainda mais para os comentários. Diferente de certos membros da academia, gosto de assistir aos filmes antes de falar sobre eles. O mesmo digo sobre o Oscar de melhor Figurino, a minha aposta era o de Trapaça, confesso que mais por uma questão pessoal (todo um amor por ambientações nos anos 70) do que por uma avaliação técnica. O vencedor também foi O Grande Gatsby.

Não tinha dúvidas que Gravidade levaria todas as estatuetas técnicas disponíveis, o que o tornou o grande campeão da noite com um total de 7 prêmios, os técnicos foram: Fotografia, Montagem, Trilha Sonora, Edição de Som, Mixagem de Som e Efeitos Visuais. Muito comentou-se sobre as estatuetas relacionadas a som em um filme ambientado no espaço, onde há vácuo e o som não se propaga . Mas quem assistiu ao filme sabe que a disposição da trilha e mixagem foram realmente impecáveis e merecidas. Quanto aos prêmios de fotografia e efeitos visuais, nem é preciso comentar. Eram favas contadas que Gravidade as levaria. 

A estatueta que me surpreendeu para Gravidade foi de Melhor Diretor para Alfonso Cuarón. Não que por achar que o Mexicano não merecia, muito pelo contrário, pois Gravidade é tecnicamente excelente, mas por não acreditar que a Academia fosse realmente premiá-lo. Fico contente de o assim ter sido.

Na categoria Melhor Roteiro Original, pude assistir a 4 dos 5 concorrentes, e fico feliz em dizer que meu favorito venceu. O filme Ela. Com seu roteiro ímpar e também o único que realmente me surpreendeu, sobre o qual falei com satisfação durante as postagens especiais Oscar. Não cheguei acreditar que o filme tivesse influência o suficiente para o prêmio de melhor filme, mas era sim, por esta categoria, minha principal aposta. 

Para melhor roteiro adaptado, não havia selecionado um favorito, mas pelas especulações, não havia muita dúvida que 12 Anos de Escravidão levaria esta, e assim o fez.

Os meus favoritos para Melhor Ator e Atriz Coadjuvante eram Bradley CooperJeniffer Lawrence, respectivamente, mesmo após assistir Nebraska e me encantar com a fofa da June Squibb. Mas já havia assumido que minha questão era mais gosto pessoal que análise técnica. Não posso negar que Lupita Nyong'o e Jared Letto tenham feito ótimas interpretações em seus papéis em 12 Anos de Escravidão e Clube de Compras Dallas
Um ponto na premiação de Jared me fez parar para refletir. Qual a real diferença da personagem de Jared em Dallas para a personagem interpretada pelo brilhante Rodrigo Santoro no nacional Estação Carandiru? Salvo as diferenças de participação na trama, claro.

Outra categoria que não poderei comentar com propriedade é de Melhor Atriz. Minha favorita para esta era Sandra Bullock, por Gravidade. Porém, ainda não pude assistir ao filme Blue Jasmine que premiou Cate Blanchett como melhor atriz. 


Ainda não foi desta vez que Leonardo DiCaprio conseguiu seu tão esperado Oscar, com sua indicação para Melhor Ator. Mesmo com a sensacional interpretação do milionário das ações em O Lobo de Wall-Street. Mas desta vez, não podemos clamar injustiça com Leozinho, a concorrência é que estava impecável. Matthew McConaughey mereceu com honras sua estatueta por sua interpretação em Clube de Compras Dallas
Uma curiosidade: Metthew, o vencedor, também faz uma participação especial em O Lobo de Wall-Street, em uma cena bastante peculiar junto ao próprio Leo.

Outra observação interessante, seguimos a linha de que emagrecer favorece estatuetas. Jared e Matthew, ambos interpretando aidéticos, perderem juntos 32kg para dar vida (?) a seus personagens. Christian Bale já havia usado essa receita ao levar o Oscar por O Vencedor.

Minha menção especial à categoria Melhor Longa de Animação, apenas para comentar minha felicidade por meu favorito, o filme Disney Frozen, ter levado a estatueta, e não só esta, como também a de Melhor Canção Original, com a canção Let It Go (link para o vídeo), lindamente interpretada, com todo o seu carisma e expressão dignos de espetáculo da Broadway, por Idina Menzel dando mais vida a rainha Elza, heroína do filme. 

E por fim, a tão esperada categoria de Melhor Filme. Já havia deixado claro que 12 Anos de Escravidão não era meu favorito, ainda acredito que o estilo conceitual e toda essa gama de cinema arte foi usada de forma forçada e exagerada neste filme, mas por outro lado, também contava que a Academia fosse premiá-lo, não só por estes fatores, mas também pela sua tal relevância social, por expor uma das cruéis historias de como funcionava o período de escravidão que os norte-americanos tanto teimam em empurrar para debaixo dos panos. Há quem diga que o filme é ótimo. Particularmente, pretendo vê-lo novamente assim que possível, para que com uma segunda visão, possa, ou não, corroborar minha opinião. Enfim, é a Academia deixando cada vez mais claro como funcionam os seus métodos de escolha e avaliação para indicar e premiar vencedores. 


É isso aí. Agora sim está encerrado oficialmente nosso Especial Oscar 2014. E seguimos com os demais filmes, e livros, e exposições, e arte.. 

Cris F Santana



domingo, 9 de março de 2014

Terror na Caneca: Mártires (Por Rodrigo Sansão)



Ha algum tempo recebi a missão da minha grande amiga Karen Alvares de fazer uma crítica ao filme Martyrs.

Como estava focado em assistir aos indicados ao Oscar deixei  essa tarefa para depois. E finalmente nesse fim de semana resolvi assisti-lo.



O filme é um terror francês, o que já estabelece uma nova atmosfera para a trama. Acho os filmes de terror "não americanos" muito mais assustadores.

O filme conta a história de Lucie, uma garota que aos 10 anos, esteve desaparecida e foi encontrada 1 ano depois, maltratada e desorientada. Ainda na infância/adolescência, Lucie conhece Anna, com quem compartilha seus terrores e pesadelos. 
15 anos se passam e Lucie descobre o paradeiro dos autores de seus maus-tratos, começando uma vingança que leva a terríveis consequências para ela e sua amiga Anna que acaba envolvida em toda trama.
Não vou escrever mais do que isso, até porquê se eu escrever mais algo, será spoiler. O grande ápice do filme é justamente nas partes que não poderei contar por aqui.

Diferente da minha amiga Karen que é fanática por terror, inclusive autora de diversos contos publicados e já fazendo certo sucesso rs, eu já não sou tão fã de terror, por conta disso demorei um pouco pra me simpatizar com a história.

 Até um pouco mais da metade do filme, nos deparamos com a mesmice das demais histórias do gênero: sangue, assombrações e muito sustos. Porém a partir de um certo momento, há uma reviravolta da trama. O que transforma a história cheia de clichês numa trama inteligente, onde tudo no final se encaixa. 

As atuações no filme são espetaculares, Mylene Jampanoi que interpreta Lucie e Morjana Alaoui que interpreta Anna são um show a parte. Nunca tinha ouvido falar delas, então Martyrs foi um cartão de visita, e que cartão!! 

As cenas são muito fortes. Tudo no filme é muito intenso. Há todos os elementos de terror que se possa imaginar. E principalmente, há sangue, muito sangue. Se você tem aversão a sangue, nem assista o filme. Imagine um Jogos Mortais e adicione fantasmas. Desespero, dor, mutilações, espancamento e assombrações. Quer mais terror que isso?

E no final,ficamos com muito mais medo das pessoas (vivas) do que de fantasmas. Assistindo o filme com meus pais, a frase do meu pai resume bem, "vou ter que torcer pra essas assombrações". 

Enfim, é um terror psicológico tenso que te deixa com nó na garganta e com algumas cenas na cabeça por um bom tempo. Se você curte o gênero, eu recomendo. Você irá gostar. Mas repassando o conselho da Karen e do Felipe Alvares, não assista sozinho a noite, você terá pesadelos!!

Rodrigo Sansão
(@rodrigosansao)

sexta-feira, 7 de março de 2014

Especial Oscar 2014: Nebraska + Philomena + Premiação (Por Rodrigo Sansão)


Vamos lá para meu último e conclusivo post do Especial Oscar 2014 (vou aguardar o post da Cris também rs).

Não consegui assistir todos os filmes candidatos ao prêmio de melhor filme (sorry). Para mim, ficou faltando apenas o Her (Ela), filme comentado pela Cris aqui na semana passada.

Nas vésperas da premiação consegui assistir Nebraska e Philomena. Tinha combinado de escrever um post sobre eles, porém, sinceramente não estava tão empolgado. Por isso resolvi "juntar" essas duas críticas em um só post e já emendar meus comentários sobre a premiação do Oscar.

Sobre Nebraska, a primeira questão que vem na cabeça é "Por que raios o filme é preto e branco?" Cheguei inclusive a pesquisar e não obtive nenhuma resposta convincente. Tudo bem que a temática está relacionada ao passado, à coisas antigas e tal, mas não fez muito sentido pra mim.
O Filme conta a história de Woody Grant , interpretado por Bruce Dern, que acredita que ganhou um prêmio milionário e tenta chegar a Nebraska para receber o dinheiro. Durante o filme chegamos a ficar com pena de Woody. Sua ingenuidade é tocante. O filme é bom e gostoso de se ver, com seu ritmo lento e sua trama simples. Mas definitivamente não teria chance para nenhuma estatueta. 

Já o filme Philomena, sinceramente não gostei. Esperava muito mais. A atriz indicada ao Oscar, Judi Dench ainda tentou salvar o filme, interpretando a personagem principal,  Philomena Lee. A atriz foi muito bem e mereceu a indicação. Seu carisma e sua doçura são os pontos fortes da trama. Mas não são suficientes. O filme é cansativo, a história é arrastada e os demais personagens também não ajudam.  Resumidamente, é até "bonitinho", mas é fraco e sendo até cruel, não merecia nem a indicação para melhor filme.

Bom, agora vamos ao que interessa para encerrar essa série de (meus) posts sobre o Oscar. Não tivemos muitas surpresas na premiação!!
  
A maioria das nossas expectativas se confirmaram. Quase todos os prêmios técnicos foram para Gravidade e o de melhor diretor para Alfonso Cuarón. Até "cantei a bola" quando postei sobre Gravidade.

Para ator e atriz coadjuvante, ambos foram justos e merecidos para Jared Leto e Lupita Nyong'o respectivamente. Embora sinceramente, minha torcida não fosse por eles.

Para melhor atriz, Cate Blanchett levou a estatueta pelo filme  Blue Jasmine. Não posso fazer comentários sobre essa escolha pois não assisti o filme. Quem sabe fica para um post a parte.

Para melhor ator, Matthew McConaughey levou a melhor sobre Leonardo DiCaprio. Li muitos comentários de pessoas revoltadas com a Academia por deixar DiCaprio, mais uma vez, sem o prêmio, mas temos que ser imparciais, o prêmio para McConaughey foi muito merecido. Se ainda estiverem com dúvidas assistam Dallas e entenderão.

Por fim, o principal prêmio da noite, a estatueta de melhor filme para 12 anos de Escravidão. Preciso confessar que estava torcendo pelos filmes Dallas e O Lobo de Wall Street.
 
Pessoalmente, não gostei tanto assim de 12 anos de Escravidão. Achei o filme longo, com cenas muito sonolentas e a história um pouco quebrada. Fiquei até impaciente em certos momentos. Como não sou nenhum especialista em cinema, estudioso nem nada disso, me dou o direito de não achar a beleza, nem a profundidade embutida pelos longos "zooms" nas árvores, ou nos insetos, no céu nem afins. 

Mas não há como negar que o tema do filme é muito forte. A dramaticidade que cerca a escravidão nos leva a refletir muito sobre a vida. Sobre os erros que a humanidade já cometeu. Sobre o mal que fizemos. Sobre discriminação, racismo, preconceito. Sobre a importância da liberdade, da fé e da esperança. Pelo contexto, pelo conjunto da obra e por toda essa reflexão, o filme mereceu o prêmio.

Por fim, gostaria de agradecer aos fiéis (e poucos) leitores do blog por nos acompanhar nessa jornada. O Oscar desse ano acabou, mas continuaremos por aqui comentando sobre os grandes filmes do passado e do presente. Até breve.


domingo, 2 de março de 2014

Especial Oscar 2014: Apostas (Por Cris F Santana)

Quase concluindo nosso Especial Oscar, resolvemos apresentar um resumo dos candidatos da noite comentando as principais categorias e apresentando os seus candidatos. E em alguns casos, colocando nossa reputação blogueira em jogo, indicando nossos favoritos.

E lá vamos nós:

Designe de Produção:
A categoria que avalia, principalmente, se existe um equilíbrio entre os elementos do filme. Se cenários não chama mais atenção que figurino, ou este mais atenção que as atuações e vice-versa. Os candidatos:
- Trapaça
- Gravidade
- Ela
- 12 Anos de Escravidão
- O Grande Gatsby

Montagem:
Os premiados aqui são os que apresentam a melhor disposição das cenas em edição, escolha certa da duração e ordem das cenas de acordo com o roteiro. Os candidatos:
- Trapaça
- Capitão Philips
- Clube de Compras Dallas
- Gravidade
- 12 Anos de Escravidão

Figurino:
Uma categoria bastante auto-explicativa, premia os melhores figurinos. Uma curiosidade sobre a categoria, só podem concorrer aqueles onde as roupas tenham sido desenhadas exclusivamente para o filme. Os candidatos:
- Trapaça
- 12 Anos de Escravidão
- O Grande Mestre
- O Grande Gatsby
- The Invisible Woman
Sobre essa categoria, não é segredo pra ninguém que tenho meu favorito: Trapaça. Que soube apresentar com veracidade e sem exageros esteriotipados, o que se vestia nos anos 70, para ambientar seus personagens.

Roteiro Original:
Os premiados são os filmes com o melhor roteiro não baseado em uma história previamente escrita. Os candidatos: 
- Trapaça
- Clube de Compras Dallas
- Ela
- Nebraska
- Blue Jasmine
Entre os três candidatos da categoria que também concorrem a melhor filme (os três primeiros, ainda falta assistir Nebraska), diria que Trapaça possui um ótimo roteiro, mas não me apreendeu e surpreendeu como Ela. Mas não acredito que a Academia vá premiá-lo.

Roteiro Adaptado:
Já nesta categoria, são premiados os melhores roteiros criados inspirados em uma obra já existente. Vale citar que continuações são consideradas roteiros adaptados, já que são baseadas nas histórias dos filmes antecessores. Os candidatos:
- Capitão Philips
- Philomena
- 12 Anos de Escravidão
- O Lobo de Wall Street
- Antes da Meia-Noite

Atriz e Ator Coadjuvante:
Atores e atrizes coadjuvantes são definidos como tais na própria votação. Nada impede que o mesmo seja votado para ambas categorias, é a maioria dos votos que define qual será a real indicação. E claro, nenhum deles pode ser indicado para as duas categorias. As candidatas:
- Jeniffer Lawrence (Trapaça)
- June Squibb (Nebraska)
- Lupita Nyong'o (12 Anos de Escravidão)
- Sally Hawkins (Blue Jasmine)
- Julia Roberts (Álbum de Família)
E os candidatos:
- Bradley Cooper (Trapaça)
- Barkhad Abdi (Capitão Phillips)
- Jared Leto (Clube de Compras Dallas)
- Michael Fassbender (12 Anos de Escravidão)
- Jonah Hill (O Lobo de Wall Street)
Entre as meninas, só assisti a Jeni e Lupita, e acredito que Jeniffer Lawrence segue, como sempre, como favorita. Entre os meninos, assisti a todos. Jared Leto surpreende no papel do transexual em Dallas, mas não vejo como favorito. Minhas apostas ficam entre Jonah Hill e Bradley Cooper, com sérias tendências para Bradley.

Melhor Ator e Atriz:
Mais uma categoria que dispensa maiores explicações. As candidatas: 
- Amy Adams (Trapaça)
- Sandra Bullock (Gravidade)
- Judi Dench (Philomena)
- Cate Blanchett (Blue Jasmine)
- Meryl Streep (Álbum de Família)
E os meninos:
- Christian Bale (Trapaça)
- Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas)
- Bruce Dern (Nebraska)
- Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão)
- Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street)
Entre as meninas que estão entre os filmes favoritos, Jude Dench está divina em Philomena, a personagem, realmente, é o filme. Mas minha favorita é Sandra Bullock e suas fantásticas cenas de introspecção explícita em Gravidade. Entre os meninos, Matthew merece seu destaque, meu favorito é Leo, mas acho que a academia premia Bale ou Ejifor.

Melhor Diretor:
Diferente da categoria de melhor filme estrangeiro, onde o diretor recebe a estatueta, na categoria de melhor filme são os produtores os premiados. Talvez, porque temos a parte a categoria de melhor diretor. Os candidatos:
- David O. Russell (Trapaça)
- Alfonso Cuarón (Gravidade)
- Alexander Payne (Nebraska)
- Steve McQueen (12 Anos de Escravidão)
- Martin Scorsese O Lobo de Wall Street)
Meu favorito é o mexicano Alfonso Cuarón, mas não acredito que será o favorito da Academia.

Melhor Filme:
A principal categoria, aquela que entrega aos produtores a estatueta daquele que seria o filme que reuniu tudo o que há de melhor no mesmo filme. E os indicados são:
- Trapaça
- Capitão Phillips
- Clube de Compras Dallas
- Gravidade
- Ela
- Nebraska
- Philomena
- 12 Anos de Escravidão
- O Lobo de Wall Street
E vou ser covarde o suficiente para não indicar os meus favoritos para esta categoria. Falando no que acredito que a Academia faria. Acredito que o prêmio fique entre Trapaça, Lobo, Gravidade e 12 Anos. Com sérias tendências para 12 Anos (e a preferência dos tios pelos filmes concento).

É isso aí. Agora aguardar a premiação, e torcer pelos nossos favoritos. Depois voltamos para comentar os premiados. Ou não. Segue o blog!


Cris F Santana
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