segunda-feira, 16 de março de 2015

Relatos Selvagens (por Cris Santana e Salemme)


Quando saímos do cinema após assistir o filme argentino Relatos Selvagens (que concorreu, mas não levou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro) estávamos boquiabertas e comentamos cena a cena diversas vezes, inclusive comparando com coisas da vida real. O filme é recheado de suspense, bom humor, tragédias e realidades.



Será que nós prestamos atenção nos feed backs que damos para as pessoas a nossa volta? Ou melhor... na maneira com a qual fazemos isso? Estamos preocupados com a conseqüência que nossas palavras ou atitudes podem ter na vida de outras pessoas? A primeira história começa nos mostrando que talvez seja melhor prestar mas atenção nisso, o Sr. Pasternak vai mostrar que as conseqüências podem ser fatais! 

Na segunda esquete, Relatos Selvagens nos mostra como a nossa bagagem de vida nos da visões completamente diferentes de meios e conseqüências, de como acertar nossas contas passadas, de como “ver” ou “executar” uma vingança quando se tem a oportunidade. Até onde podemos julgar e fazer justiça com as próprias mãos?

O grande desafio do ser humano no transito caótico das grandes metrópoles: paciência. Paciência com o motorista que não sinaliza direito, com o que anda a faixa de velocidade em velocidade muito abaixo da permitida ou aquele que vem atrás de você com a velocidade muito acima, forçando a passagem e muitas outras coisas que acabam gerando pequenos conflitos. Quantas tragédias são conseqüência de pequenos desentendimentos? Qual a dificuldade que temos de aceitar que as vezes a última palavra não será nossa? Na terceira esquete o filme nos trás a história de Diego Iturralde (Leonardo Sbaraglia) que perde a calma na estrada e acaba dentro de uma encrenca sem fim onde nenhum dos envolvidos quer perder a razão, e até onde eles irão para dar a última palavra?

Se você já assistiu Um Dia de Fúria, filme antigo com Michael Douglas, e terminou tendo certeza de que queria poder viver um dia desses também certamente vai se identificar e muito com a quarta narrativa de Relatos Selvagens. Onde é nosso limite de stress com as coisas que nos acontecem diariamente cujas quais não podemos mudar nada ainda que estejamos sendo completamente prejudicados? Até que ponto conseguimos respirar fundo e contar até dez quando o “próximo” não tem a menor empatia com nosso problema e nos deixa a beira da loucura? Nessa história você vai conhecer Símon (Ricardo Darin) que por uma falta de sinalização na rua tem seu carro guinchado, perde o aniversário de sua filha e entra numa bola de neve de coisas dando errado sem que ninguém perceba ou de ouvidos ao que ele diz, Tentando encontrar no sistema alguma justiça para si, acaba levando tudo às últimas conseqüências e se faz ouvir de um jeito extremo, cheio de conseqüências e que deixa o queixo caído. (Principalmente porque você pensa: puxa... eu faria isso!)

Até onde os seres humanos são capazes de ir para se safar ou salvar os seus entes queridos de alguma encrenca? E quais as conseqüências disso? A super proteção dos filhos ajuda ou atrapalha? Nesse eletrizante relato vamos ver uma história que certamente acontece com mais freqüência do que gostaríamos de saber e que nos fará pensar muito nos limites a quais podemos chegar.

O que você faria se no dia programado pra ser o mais feliz da sua vida uma verdade estourasse como uma bomba bem na sua mão? Nessa última esquete do filme vamos conhecer Romina (Erica Rivas) e Ariel (Diego Gentile) e todos os seus familiares e convidados de casamento num a história que seria muito cômica se não fosse tão trágica. Amor, traição, vingança e uma festa de casamento cheia de ação vem para deixar os olhos grudados na tela até o último minuto.



Com várias curtas e objetivas histórias proporciona uma série de ápices que não dão tempo de perder a atenção. Quando um ponto alto se resolve, não demora e um novo drama surge na história seguinte te prendendo minuto a minuto do longa e deixando gostinho de quero mais.

Relatos Selvagens é um filme cheio de conteúdo, que fará você ficar pensando muito nas suas histórias e conseqüências além de depois, conseguir vê-lo em varias ocasiões do seu cotidiano.
Até onde você iria?


(por Cris Santana e Salemme)

Um comentário:

  1. O roteiro de Relatos Selvagens aliado a uma direção intensa e ousada de Damián Szifron exibe com perfeccionismo o quão somos pequenos e não temos controle nenhum sobre nossas atitudes tal qual pensamos. O rancor de fato existe e é levado eternamente por todos, o que pode nos levar a se questionar se realmente um possível perdão dado foi sincero. As cenas são construídas com umas pitadas de revanchismo ao estilo Quentin Tarantino, o final abusa positivamente da intensidade, levando todos às gargalhadas por duas razões: A comicidade da cena e o admitir que somos tão ridículos e capazes de fazer exatamente tudo aquilo que o filme mostra (atos nada benevolentes e a aceitação de algumas humilhações). No quesito cinema, a Argentina está dando de 7 a 1 no Brasil.

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