quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Filme: Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (por Karen Alvares)


Acreditem: eu nunca tinha assistido a esse filme. Claro, já tinha ouvido falar dele milhares e milhares de vezes, de como era bonito, de como era emocionante etc. etc. etc., mas a verdade é que tudo o que eu sabia sobre ele era que se tratava de um romance com o Jim Carrey, e um bem maluco.

Tudo bem, eu já tinha zapeado canais e visto partes do filme e nunca entendia nada. Claro, esse não é daqueles filmes que você pode pegar aos quinze minutos e acompanhar até o final. Você precisa assisti-lo do inicio ao fim e prestar bastante atenção; não é um filme difícil, mas é sim um filme confuso.

Joel (Jim Carrey) conhece Clementine (Kate Winslet) em um trem, em um dia em que ele foi inesperadamente impulsivo – o que não é de seu feitio – e resolveu pegar um trem para um lugar que definitivamente não estava em seu caminho. Clementine é totalmente o oposto de Joel; enquanto ele é tímido, retraído, até mesmo chato (sim, ele é um cara um tanto entediante), Clementine é impulsiva, espontânea, pinta o cabelo de cores malucas, enfim, já deu pra pegar a ideia, certo? E os dois ficam juntos, daquele jeito que às vezes acontece na vida, mas, em algum momento, Joel descobre que Clem passou por um tratamento experimental maluco para esquecê-lo. O cara entra em depressão e resolve que também vai esquecê-la, até que percebe... bem, percebe que às vezes é melhor sentir dor do que não sentir nada.

Apesar de toda a confusão que falei antes – cenas intercaladas de vários personagens, lembranças misturadas, modificadas à medida que Joel resolve “esconder” Clem em lembranças às quais ela não pertencia, e todas essas coisas -, o filme é bem gostoso de assistir. Romântico sem ser piegas, com algumas pitadas de humor bem dosadas, dramas que comovem. Assim é Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças.

Acredito que foi uma das atuações que mais goste de Jim Carrey; no começo é estranho vê-lo não fazendo um papel de comédia pastelão, mas justamente por ser um filme diferente do que ele está acostumado a fazer você consegue perceber que sim, ele é um ator muito bom.

A mensagem mais bela que captei desse filme foi a que mencionei ali em cima: apesar de um coração partido ser doloroso, é melhor ter um coração partido do que viver sem conhecer um grande amor. Ele pode até acabar, pode até ter existido de um lado só, mas, no fim, as lembranças – as boas e as ruins – fazem parte do que somos. Esquecê-las seria como arrancar um pedaço, deixando-nos incompletos.

Por algum motivo – talvez pelos personagens, talvez por ter demorado tanto tempo para assistir e construído expectativas excessivas – achei que iria me emocionar mais com o filme. Não me entendam mal, foi um filme ótimo, realmente bom para passar um tempo debaixo das cobertas (mas no ar-condicionado, claro), comendo pipoca, mas... faltou alguma coisa. Alguma coisa que realmente envolvesse, emocionasse. Eu esperava chorar e não foi isso que aconteceu. Talvez essa não fosse mesmo a ideia, eu que criei expectativas erradas. Mas, sim, terminei o filme com um sorrisinho no rosto e aquele sentimento que aconchega o coração. Uma boa pedida quando se está no clima de um filme de romance não muito convencional. 4 pipocas pra ele.

Por Karen Alvares

Karen Alvares é escritora, blogueira e adora comer chocolate assistindo a filmes de terror e séries sanguinolentas, mas de vez em quando dá uma chance a romances docinhos. É autora do romance Alameda dos Pesadelos e de contos. Siga @karen_alvares.

Um comentário:

  1. Curiosamente assisti este filme há 2 dias. Eu amei.
    Adoro filmes que fogem ao tradicional, que apresentam uma idéia nova e original.

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