terça-feira, 8 de setembro de 2015

Brasil na Caneca: Que horas ela volta? (por Salemme)


No dia da Independência do Brasil fui ao cinema prestigiar a produção nacional Que horas ela volta?, que deu a Regina Casé o prêmio Melhor Atriz no Festival Sundance (que acontece em Janeiro em Utah / E.U.A), traz para a telona uma realidade do nosso país que muitas vezes passa desapercebida de tão mascarada: a relação entre patrão e empregado que deixa claro o lugar que cada um ocupa na “cadeia social” do Brasil.

Regina Casé dá vida a Pernambucana Val, que vem para São Paulo em busca de emprego para dar melhores condições de vida para sua filha que fica no nordeste sob os cuidados de uma tia. Na capital paulista ela consegue trabalho na casa de uma família rica, onde além do serviço da casa também faz o papel de babá para Fabinho (MichelJoelsas) que cria por Val um amor enorme devido à ausência constante dos pais.



Após treze anos a filha de Val, Jéssica (Camila Márdiga), procura a mãe depois de alguns anos sem comunicação pedindo abrigo em São Paulo para que ela preste uma prova de vestibular. A partir daí desenrola-se a história. A patroa de Val, Bárbara (Karine Teles) que a princípio demonstra muito solícita com a vinda da garota (já que a empregada está na casa há anos, é praticamente da família e blá blá blá) logo começa a se incomodar com a “ousadia” de Jéssica em querer conviver socialmente pela casa e não se conforma em ficar no quartinho de empregada.

O filme escancara um assunto que muitas vezes parece estar escondidinho no dia a dia: o cotidiano das empregadas domésticas que fazem parte da família, mas não se sentam a mesa, não comem com a família e não podem assistir a televisão na sala de estar. Um falso moralismo de quem “faz de conta” que não se acha acima da faixa mais pobre da população. Regina está impecável no papel, faz rir, emociona, cativa quem está assistindo do começo ao fim prendendo a  atenção pelos 111 minutos de filme e principalmente: não está caricata, com aquele excesso de sotaque e piadas prontas, ela está natural, ela É a personagem!



Na contramão temos atuações não tão boas de Karine Teles e Lourenço Mutarelli (Carlos – o marido) que ao meu ver não estão convincentes, em alguns momentos achei até que estava assistindo Malhação...

 A história, embora seja retrato de uma realidade que vivemos (mesmo que não seja de perto), não é uma grande história. Falta uma virada no filme, um elemento surpresa, qualquer coisa... o filme é bem parado e deixa a impressão que algo foi esquecido.

De qualquer forma, reforço que a atuação de Regina Casé vale cada centavo do ingresso e muitas das questões levantadas, como a relação criada entre as crianças e as babás proporcionadas pela ausência dos pais, ou os momentos em família que são perdidos com cada um vidrado em seus smartphones como se não houvesse ninguém para conversar “ao vivo” na mesa do jantar, nos fazem repensar nossas próprias atitudes.


Recomendado!

Salemme

Update: Que horas ela Volta foi escolhido para representar o Brasil na disputa pelo Oscar 2016 de melhor filme de língua estrangeira.

3 comentários:

  1. Concordo com todos os elogios à Regina Casé. Os prêmios, realmente, se justificam.Inclusive, foi interessante assistir esse filme logo depois de ter passado três semanas convivendo com meninos de Recife, no trabalho. Porque reconheci no filme vários acentos e expressões idiomáticas deles e me levou a acreditar na veracidade das cenas. Aplicaria esse destaque do sotaque pra brasiliense Camila Márdila, também (de quem também gostei da atuação).
    E discordo que a história seja fraca. Achei um roteiro inteligente. Concordo que ele não tem um conflito do modo padrão de histórias, com introdução, clímax e solução pontuados. Mas não achei que isso fez falta, só segue outro modelo. Achei bem bacana a forma como eles distribuíram na história os pontos de reflexão dos dois conflitos principais. O conflito geracional e o conflito de classes são inseridos em todo o decorrer. É o que eu entendo como conflito contextualizado. Até diria que já vi filmes que usam esse ritmo de conflito contextualizado que não achei assim bem utilizado e eu gosto desse formato (na verdade gosto de tudo que foge de padrões =x).
    Enfim, achei o filme emocionate e também recomendo! :D

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  2. O ritmo da história definitivamente não me inspira, talvez por isso eu não tenha considerado uma grande história. O filme mantém o mesmo ritmo e isso me causa uma pequena sonolência... Eu esoerei realmente por uma virada.
    Mas, também recomendei, essa "monotonia" rítmica não tira nenhum mérito da produção.

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  3. O ritmo da história definitivamente não me inspira, talvez por isso eu não tenha considerado uma grande história. O filme mantém o mesmo ritmo e isso me causa uma pequena sonolência... Eu esoerei realmente por uma virada.
    Mas, também recomendei, essa "monotonia" rítmica não tira nenhum mérito da produção.

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