quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Cult de Quinta: Janela Indiscreta (por Espanhol)

(Rear Window - 1954 )

Um suspense clássico do diretor Alfred Hitchcock, Janela Indiscreta é um filme atemporal. As questões que o filme levantou em sua estreia em 1954 ainda estão surpreendentemente relacionadas com o que vivemos hoje e como nossas vidas estão cada vez mais expostas ao “Grande Irmão” onde este, assustadoramente, assume papel de grandes potencias mundiais como o recente caso de espionagem mundial empreendido pela agência NSA dos EUA. Tirando essas e outras questões sobre a ética da espionagem, a película consegue um feito singular: originalidade e causar tensão, incrivelmente, sem derramar uma gota de sangue. Afinal, é só uma espiadinha!  




L.B. Jeffries (James Stewart) é um fotógrafo errante que fratura sua perna ao tirar fotos incríveis de um acidente numa pista de corrida. O resultado são 7 semanas de molho em uma cadeira de rodas em seu apartamento no suburbio de Nova Iorque, onde o entediado mocinho fica observando o que acontece com a comunidade de “janelas” dos vizinhos que o cercam.

O plot principal é incrivelmente simples e é notável como a construção de Hitchcock da o tom da película. Basta a assinatura dele na tela para você ficar empolgado e com razão, Hitchcock escolhe a dedo suas composições de musicas clássicas para dar o tom da movimentada vizinhança, ora alegre e cheia de personalidades como a bailarina promíscua, a mulher de meia idade solitária, o vendedor e sua esposa inválida ou o jovem músico boêmio e na calada da noite misteriosa e sinistra, onde as coisas que não deveriam ser vistas acontecem.

Uma das sacadas geniais do filme é que não há apresentação dos vizinhos observados por Jeff, seus nomes, personalidades e o que fazem são descobertos de acordo como levam sua vida dentro de seus apartamentos ou de acordo com a curiosidade do protagonista. Todas as manhãs, Stella (Thelma Ritter) uma veterana enfermeira vai até a casa de Jeff para banha-lo e conversar sobre sua namorada Lisa (a estonteante Grace Kelly) e como ele deveria se casar com a endinheirada garota.

Após várias semanas de ócio, Jeff se ocupa acompanhando a vida de sua vizinhança, aqui mais méritos para Hitchcock, onde nos apresenta uma fotografia e um jogo de câmeras impecáveis, passando de janela em janela, revelando pouco a pouco a rotina das personagens secundárias, as quais vão assumindo papeis importantes na trama. Mas é durante uma noite chuvosa que a história começa a tomar forma.

Jeffries acorda no meio da noite e começa a observar uma movimentação suspeita no apartamento do vendedor de joias e de sua esposa adoecida, a essa altura, Jeff já acompanha a vida do casal o suficiente para saber que quando o marido volta para casa, prefere cuidar de seu jardim a ouvir as infindáveis reclamações de sua esposa. Essa noite, o vendedor sai e volta com sua valize de trabalho repetidas vezes, na calada da noite, em meio a um temporal. Jeff acompanha tudo com estranheza, principalmente quando nota que o antagonista está guardando uma serra e um facão.

Aos poucos, Jeff começa a ficar obcecado pela atitude do vendedor e começa a espiona-lo, acreditando que ele assassinou sua mulher, que não foi mais vista desde aquela noite. Com a ajuda de Lisa e de seu amigo, o Tenente Thomas J. Doyle (Wendell Corey) os três começam a cercar os passos de seu estranho vizinho para tentar descobrir o que aconteceu a sua esposa e o que justificaria suas atitudes suspeitas.

Outra questão que o filme levanta é o Voyeurismo, ou a vulga “espiadinha”, que sugeria a pornografia (Caso da bailarina que vive dançando e se exercitando com poucas roupas em seu apartamento), ainda que de forma suave, em uma época que o tema ainda era tabu (Hoje, o assunto está alta em Hollywood, principalmente com a aguardada adaptação para as telinhas do livro homônimo Cinquenta Tons de Cinza). Outro ponto para Hitchcock que já havia abordado essa mesma temática também em Psicose.

Com um ótimo enredo, apresentação fantástica, atuações impecáveis e diálogos inteligentes, Janela Indiscreta é um daqueles filmes que nunca vai ser superado. É e sempre será um referência para o gênero policial e de suspense. É um filme feito na época certa com os elementos certos que influenciaram diretamente toda uma geração do cinema moderno. Para todos os fãs de cinema, é uma parada obrigatória na telinha.


Espanhol

Um comentário:

  1. Como sempre, ótima postagem!
    Me fez pensar por um momento. Seria "Paranóia" (Disturbia - 2007) inspirado neste filme? Não me espantaria, Hitchcock é mesmo um mestre do Cinema.

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