terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Precisamos Falar Sobre O Kevin (por Cris F Santana)


O drama (meio suspense) britânico-americano Precisamos Falar Sobre o Kevin é um desses filmes cujo o enredo é difícil de explicar sem dar nenhum spoiler da história (mas tentarei o máximo possível). Tilda Swinton (Madame D.) é Eva Khatchadourian. Eva era uma bem sucedida empresária, dona de uma editora de guias de viagem para mochileiros. Mulher de inúmeras viagens, casada e completamente apaixonada por seu marido Franklin (John C. Reilly). O filme retrata Eva paralelamente em dois momentos temporais distintos. Em uma linha de tempo conta a história de sua família classe média alta, seu casamento feliz, sua casa imensa, sua gravidez de um filho que ela não desejava ter, sua relação conturbada com o filho. E na outra linha, sua vida atual, solitária, casa simplória, emprego em uma agência de viagens de esquina e suas visitas regulares ao filho adolescente preso. O retratado nas duas linhas de tempo convergem para explicar o momento onde uma se tornou a outra (o grande suspense da história!).



O filme é uma adaptação do livro homônimo de Lionel Shriver (Livro aliás que não poupo elogios. Falei sobre ele aqui: link). A forma desconstruída, usada pelo diretor e roteirista Lynne Ramsay, para provavelmente tentar recriar o ritmo do livro talvez torne complicada a compreensão da história pelo espectador não familiarizado, mas a técnica dá ao filme uma característica ímpar. Tilda Swinton consegue demonstrar de forma marcada as perturbações sofridas pela mãe de Kevin. E os dois garotos que interpretam Kevin, Jasper Newell (Kevin pirralho endemoniado) e Ezra Miller (aquele das Vantagens de Ser Invisível, que vai ser o Flash, o Kevin adolescente sociopata) são sensacionais, ambos deram a Kevin o olhar malvado psicótico no seu tom perfeito. 

Contudo, acredito que ter lido o livro foi fator facilitador para a minha compreensão do filme, mas também enfatizou a discrepância entre o que eu esperava e o que realmente vi nas telinhas. Algo que me incomodou no filme é a impressão deixada de que todo o comportamento psicótico do guri é culpa da mãe e da sua rejeição ao filho desde o nascimento. Vamos com calma! Em uma adaptação mais fiel, o garoto tem desde sempre uma personalidade com muitos (muitos mesmo) tons de maldade. Claro que Eva tem sua parcela de culpa, mas um grande agente facilitador na construção da personalidade torta de Kevin é Franklin. Aliás, tomando o livro como base, Franklin é a personagem pior adaptada. É o pai que acredita cegamente em todas as representações de menino bonzinho de Kevin, defendendo-o e acreditando em toda história mal contada do moleque, isso é determinante. Além de o Franklin do livro ser um cara ativo, com personalidade forte e que impõe seus pontos sobre tudo (Tudo mesmo! Passando por cima de Eva diversas vezes sem nem perceber), um coroa saudável que pula corda 45 minutos por dia e que eu imaginava como um sugar daddy. Enquanto no filme, é um Zé Passivão com cara de bobão. Panaca no que diz respeito a mulher e pau mandando no que diz respeito ao Kevin. A ausência da responsabilidade do pai deixou lacunas importantes no filme.



Enfim, o espectador que não leu o livro (e que gastar um pouco de atenção), vai provavelmente achar o filme o máximo, o que leu talvez ache superficial, mas ainda assim muito bom. De qualquer forma, é um filme que vale bastante a pena ser assistido (e se der, leia o livro). 


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...