quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Cult de Quinta: Beleza Americana (por Espanhol)

(American Beauty - 1999)

Dirigido por Sam Mendes, seu primeiro longa como diretor e que lhe rendeu a estatueta da academia, Beleza Americana é uma daquelas histórias que aparecem nas telinhas de tempos em tempos para impulsionar o público a refletir sobre os caminhos que cada um assume em sua própria vida em busca de um padrão de perfeição que a sociedade impõe como ideal. O filme mostra como uma paixão e um objetivo podem ser o estalo necessário para que uma guinada no destino seja realizada e que a perspectiva mude de sobreviver para realmente viver e simplesmente ser feliz.



Lester Burnham (Kevin Space) é um homem de meia idade comum, anestesiado pela sua realidade em ter conquistado a vida perfeita: um bom emprego, sua esposa Carolyn (Annette Bening) e filha Jane (Tora Birch), aparentemente felizes e vivendo em uma linda casa no suburbio. A verdade sobre o que o cerca e seus sentimentos não poderiam ser mais diferentes, Lester vive em um estado constante de topor mental com um emprego mediocre, uma esposa que o considera um perdedor e uma filha adolescente que o odeia, sua vida estava passando diante de seus olhos sem qualquer rumo e ele não fazia absolutamente nada para mudar essa realidade, sendo que, confome suas palavras, o melhor momento de seu dia era se masturbar no chuveiro.

Embasado por sua vasta experiência teatral, Sam Mendes foca no desenvolvimento individual de seus personagens, evidenciando suas qualidades e defeitos de forma primorosa. Ele consegue desenvolver a narrativa naturalmente, mostrando o dia-a-dia da conturbada família e todos os problemas que a vida de aparências trazem, principalmente para Lester.

Ao acompanhar sua esposa até um jogo de basquete da escola de Jane, que faz parte do grupo de líderes de torcida, numa tentativa desesperada de melhorar sua relação com a adolescente, Lester se apaixona pela bela Angela Hayes (Mena Suvari), amiga de sua filha e garota popular no colégio por ser descolada e fogosa.

Aqui o ponto de virada do filme realmente começa, pois o estalo na cabeça de Lester o deixa em estado contemplativo, sonhando acordado com Angela num mar de rosas americanas, pronta para seduzi-lo. Sacada sensacional dos anseios e sonhos de um homem de meia idade por uma colegial, fantasia que muitos alimentam em seus segredos mais profundos e que nunca se concretizam, porém, Lester estava determinado a tentar alcançar o seu novo objeto motivador, ou melhor, sua musa inspiradora.

A mudança de postura da personagem faz com que você sorria a cada decisão insana, mas totalmente verdadeira, que Lester toma daquele momento em diante, como fumar maconha com Ricky Fitts (Wes Bentley), filho do seu novo vizinho Colonel Fitts (Chris Cooper), um ex-militar aposentado e homofóbico, começar a malhar para impressionar Angela e até largar seu emprego e chantagear seu chefe conseguindo um ano de salário pago.

Enquanto isso Carolyn começa a se frustrar com o comportamento rebelde de seu marido e passa a demonstrar um grande interesse no bem sucedido corretor de imóveis, Buddy Kane (Peter Gallagher). Já na outra ponta do nó, Jane começa a se envolver com Ricky, que quando não está vendendo maconha secretamente para o pai da moça, vive filmando tudo que se passa na vizinhança com uma câmera portátil e com um comportamento altamente esquisito.

A partir desse ponto está armada a teia que irá envolver todas as personagens, sendo que, a sinergia das atuações e o desenvolvimento da trama são fantásticos, com destaque especial para Kevin Space que está simplesmente soberbo. A virada na vida de Lester e a sua forma de encarar os problemas dão ao ator uma margem fantástica, transmitindo aos espectadores como um homem totalmente aprisionado libertou-se para viver sua vida de uma forma plena, no comando da situação e que lhe faz feliz, mesmo que seja desconstruindo um padrão de vida considerado como perfeito.

Com um enredo forte, personagens super bem resolvidos e um final surpreendente, Beleza Americana é uma jóia em um mar de auto-ajuda barata e de dramalhões sentimentais inverossímeis, que entopem os cinemas ano a ano. Em sua essência, é um filme visceral, é uma crítica aos padrões americanos e mundiais de estilo de vida; mostra a depressão social que muitas pessoas vivem para alcançar e manter algo que elas não precisam, e é claro, joga a maior pergunta para o público: você está contente com o rumo da sua vida?

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