terça-feira, 31 de março de 2015

Brasil na Caneca: Ponte Aérea (Por Marlon Faria)

(Ponte Aérea - 2015)

Forte e Suave. Apesar de opostas essas palavras servem perfeitamente para descrever a qualidade do novo trabalho da cineasta Júlia Rezende. PONTE AÉREA, não é apenas um filme sobre um romance que se passa entre Rio e São Paulo, mas uma trama sobre encontros e relações que extrapolam o campo do amor e alcançam o campo do afeto.



De cara, não somos apresentados ao passado dos personagens e temos como base para o nosso 'julgamento' apenas as suas ações do presente (o que torna tudo bastante interessante). Quando os mundos de um artista carioca e de uma bem sucedida publicitária paulistana colidem, não são apenas duas vidas se cruzando, mas duas formas de encarar a realidade, dois códigos de funcionamento, dois contextos.

Os atores Letícia Colin e Caio Blat abraçam os personagens com verdade e entrega. Caio, apesar de jovem, tem filmografia de veterano. Mas é Letícia quem rouba a cena. Com uma carreira consolidada no teatro, inclusive em musicais, a jovem atriz é versátil ao extremo e nos presenteia com uma composição de personagem bastante complexa e bem executada, embalada pela trilha sonora do Kaiser Chiefs.

Com leves inspirações na obra AMOR LÍQUIDO, de Bauman, o longa acerta também onde a maioria das produções nacionais peca, nos diálogos. Parabéns para Julia Rezende que coassina também o roteiro.

Canequeiro Convidado)

sexta-feira, 27 de março de 2015

Terror na Caneca - A mulher de Preto 2 - Anjo da Morte (por Roberta Ferreira)

(The Woman in Black 2 : Angel of Death - 2014)

Hoje no Terror na Caneca, falaremos um pouco sobre A mulher de Preto 2 - Anjo da Morte.
No elenco temos Phoebe Fox, Jeremy Irvine, Helen Mc Crory.
A direção é de Tom Harper.

A história se passa em Londres, na segunda guerra, acompanhando a história de um grupo de refugiados, sendo duas professoras e muitos alunos, todos buscando sair da zona dos bombardeios de guerra.

As mulheres e seus alunos são enviados para uma ilha no interior da Inglaterra, onde ficam hospedados na mansão Eel Marsh, uma casa isolada de toda a vizinhança que cerca a ilha.
Ao chegarem lá, uma das professoras começa a perceber fatos estranhos , como por exemplo a presença de uma mulher desconhecida que aparece repentinamente nos cômodos da casa, portas que se abrem e fecham sozinhas e a súbita amizade de Edward, um menino introvertido que perdeu a mãe recentemente, com a Mulher de Preto.



O filme possui vários elementos que ajudam na construção do suspense, como a casa mal conservada, os brinquedos com cara de amaldiçoados, a fotografia escura, assim como feito no primeiro filme, a figura enigmática da mulher de preto e a sua própria  história triste, assim como a maldição que ela impõe nos habitantes que cercam a ilha.
Há alguns sustos no decorrer da trama, porém acredito que o primeiro filme foi mais assustador. No final, fica um gancho para um possível terceiro filme.
De qualquer forma, vale assistir, a história da mulher continua intrigante e garante algumas horas de entretenimento. 
 (Roberta Ferreira)



segunda-feira, 23 de março de 2015

Doce Vingança (Por Salemme)


Domingo a tarde, namorada doente e sem poder sair, vamos ver o que o Netflix tem a oferecer. Sapeando pelos filmes passamos por um chamado Doce Vingança. Ela já tinha assistido e me disse que era muito bom, decidi ir na recomendação.

Há muito tempo eu não assistia um suspense tão bom.

O filme é uma refilmagem de "A vingança de Jennifer" de 1978 que conta a história de Jennifer Hills (Sarah Butler), uma jovem escritora que decide alugar uma cabana num lugar tranquilo e afastado para escrever seu livro. Sua presença nas redondezas não deixa de ser notada pelos moradores locais, principalmente por Johnny (Jeff Branson), o frentista do posto de gasolina da cidade que acaba passando por uma situação inusitada quando a garota passa para abastecer o carro e pegar algumas informações.



Quando um dos homens da pequena vila vai até a cabana ajuda-la com um problema com encanamento, entende erroneamente o agradecimento dela com um beijo em seu rosto e conta isso para os amigos que decidem então ir até Jennifer e acabam ultrapassando qualquer limite, humilhando e torturando a garota quase até a morte.

E eles vão desejar que tivesse sido até a morte... Pois ela não se esqueceu de nada... De nenhuma fala, de nenhum ato dos que brutalizaram ela naquela noite.

Dai em diante, qualquer informação será Spoiler. Mas é um suspense de prender o folego. Vale a pena assistir e prestar atenção em cada detalhe para entender tudo o que Jennifer vai fazer contra aqueles que se aproveitaram dela.

Recomendado!

(por Salemme)


Curiosidades: 

* Quando Jennifer para e abastece o carro no posto o valor total a pagar é 19,78 (o filme original é de 1978)

* Embora estupro seja um dos temas principais da história, o termo só é mencionado duas vezes, por dois personagens no final do filme.

sábado, 21 de março de 2015

Insurgente (Por Luiza Agostinho)

(Insurgent - 2015)

Antes de tecer uma opinião sobre Insurgente, preciso ressaltar o quanto franquias são, em sua 
maioria, extremamente problemáticas.  O público retorna esperando ser surpreendido e essa expectativa precisa ser devidamente suprida. Em caso negativo, fica decretado não só a desgraça do próprio filme, como o do possível sucessor e da história como um todo.



Assim sendo, a missão dos realizadores era não somente entreter, mas garantir a volta do espectador para assistir o terceiro e último da saga, Convergente. Nisso, Insurgente lamentavelmente falha.

A sequência tem acertos. A história do primeiro filme é reapresentada rapidamente – e de maneira genial -, criando um dinâmico pano de fundo para o enfoque na maturação da heroína Tris e sua aceitação pessoal como Escolhida. A presença de personagens secundários também é menor e isso contribui positivamente na criação de laços entre o espectador e a protagonista. Via de regra, quanto mais tempo em tela, maior a familiarização com a plateia.
Ainda, vemos mais uma audaciosa composição de Florian Ballhaus, diretor de fotografia, rigorosamente responsável pela atmosfera sombria do filme e pela impactante energia de Tris nas cenas de ação. Miles Teller outra vez cativa habilmente o telespectador como o cínico Peter, além da performance sempre impecável de Kate Winslet, que encarna a deslumbrante Jeanine.

No entanto, imprevisivelmente, do outro lado está Shailene Woodley em sua pior atuação na carreira até o momento. Inicialmente, a personagem Tris até convence por sua desorientação e agressividade pós traumática. Entretanto, somos já na primeira metade expostos à uma medonha falta de harmonia entre Woodley e Theo James (Four). O casal, basicamente, não funciona. As sequências românticas são fracas e deixam a audiência desconfortável frente à tamanha artificialidade, em total desacordo com a química que tiveram no primeiro capítulo da trilogia.

Ansel Elgort (Caleb) é o peso de papel dessa edição. Caso retirássemos sua participação, o resultado seria sumariamente o mesmo. Já a nova personagem apresentada, Evelyn (Naomi Watts), foi comprometida pelo comportamento de Four e Tris em cena e também deixa a desejar. Por fim, o nada menos que desprezível roteiro de Akiva Goldsman que agride o público com diálogos pobres e estéreis. Talvez este seja, de fato, o maior responsável pela apatia da personagem principal e do resultado final catastrófico.

Infelizmente, me arrependo de não ter esperado Insurgente sair no Popcorn. Me é particularmente desagradável escrever de modo negativo sobre filmes com personagens principais femininas. Todavia, pior do que não haver lugar para mulheres no Cinema é que este lugar esteja mal ocupado como acontece aqui.

Luiza Agostinho,
Canequeira convidada (@luiza1up

segunda-feira, 16 de março de 2015

Relatos Selvagens (por Cris Santana e Salemme)


Quando saímos do cinema após assistir o filme argentino Relatos Selvagens (que concorreu, mas não levou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro) estávamos boquiabertas e comentamos cena a cena diversas vezes, inclusive comparando com coisas da vida real. O filme é recheado de suspense, bom humor, tragédias e realidades.



Será que nós prestamos atenção nos feed backs que damos para as pessoas a nossa volta? Ou melhor... na maneira com a qual fazemos isso? Estamos preocupados com a conseqüência que nossas palavras ou atitudes podem ter na vida de outras pessoas? A primeira história começa nos mostrando que talvez seja melhor prestar mas atenção nisso, o Sr. Pasternak vai mostrar que as conseqüências podem ser fatais! 

Na segunda esquete, Relatos Selvagens nos mostra como a nossa bagagem de vida nos da visões completamente diferentes de meios e conseqüências, de como acertar nossas contas passadas, de como “ver” ou “executar” uma vingança quando se tem a oportunidade. Até onde podemos julgar e fazer justiça com as próprias mãos?

O grande desafio do ser humano no transito caótico das grandes metrópoles: paciência. Paciência com o motorista que não sinaliza direito, com o que anda a faixa de velocidade em velocidade muito abaixo da permitida ou aquele que vem atrás de você com a velocidade muito acima, forçando a passagem e muitas outras coisas que acabam gerando pequenos conflitos. Quantas tragédias são conseqüência de pequenos desentendimentos? Qual a dificuldade que temos de aceitar que as vezes a última palavra não será nossa? Na terceira esquete o filme nos trás a história de Diego Iturralde (Leonardo Sbaraglia) que perde a calma na estrada e acaba dentro de uma encrenca sem fim onde nenhum dos envolvidos quer perder a razão, e até onde eles irão para dar a última palavra?

Se você já assistiu Um Dia de Fúria, filme antigo com Michael Douglas, e terminou tendo certeza de que queria poder viver um dia desses também certamente vai se identificar e muito com a quarta narrativa de Relatos Selvagens. Onde é nosso limite de stress com as coisas que nos acontecem diariamente cujas quais não podemos mudar nada ainda que estejamos sendo completamente prejudicados? Até que ponto conseguimos respirar fundo e contar até dez quando o “próximo” não tem a menor empatia com nosso problema e nos deixa a beira da loucura? Nessa história você vai conhecer Símon (Ricardo Darin) que por uma falta de sinalização na rua tem seu carro guinchado, perde o aniversário de sua filha e entra numa bola de neve de coisas dando errado sem que ninguém perceba ou de ouvidos ao que ele diz, Tentando encontrar no sistema alguma justiça para si, acaba levando tudo às últimas conseqüências e se faz ouvir de um jeito extremo, cheio de conseqüências e que deixa o queixo caído. (Principalmente porque você pensa: puxa... eu faria isso!)

Até onde os seres humanos são capazes de ir para se safar ou salvar os seus entes queridos de alguma encrenca? E quais as conseqüências disso? A super proteção dos filhos ajuda ou atrapalha? Nesse eletrizante relato vamos ver uma história que certamente acontece com mais freqüência do que gostaríamos de saber e que nos fará pensar muito nos limites a quais podemos chegar.

O que você faria se no dia programado pra ser o mais feliz da sua vida uma verdade estourasse como uma bomba bem na sua mão? Nessa última esquete do filme vamos conhecer Romina (Erica Rivas) e Ariel (Diego Gentile) e todos os seus familiares e convidados de casamento num a história que seria muito cômica se não fosse tão trágica. Amor, traição, vingança e uma festa de casamento cheia de ação vem para deixar os olhos grudados na tela até o último minuto.



Com várias curtas e objetivas histórias proporciona uma série de ápices que não dão tempo de perder a atenção. Quando um ponto alto se resolve, não demora e um novo drama surge na história seguinte te prendendo minuto a minuto do longa e deixando gostinho de quero mais.

Relatos Selvagens é um filme cheio de conteúdo, que fará você ficar pensando muito nas suas histórias e conseqüências além de depois, conseguir vê-lo em varias ocasiões do seu cotidiano.
Até onde você iria?


(por Cris Santana e Salemme)

sexta-feira, 13 de março de 2015

Terror na Caneca: O Nevoeiro (por Karen Alvares)

(The Mist, 2007)

Em Sexta-Feira 13 que se preze não pode faltar um bom filme de terror. Mas não temam, queridos canequeiros! O Terror na Caneca chegou trazendo a dica da semana - e da Sexta 13!

Vocês vão dizer que eu só gosto de filmes do Stephen King, mas fazer o que se ele é o mestre do terror? (eu juro que vejo e gosto de outros filmes de terror, ok? Fui eu que indiquei Martyrs pro Sansão, sabiam?). 

O Nevoeiro, a exemplo de 1408 (leia a crítica), também é a adaptação de um conto, dessa vez presente na coletânea Tripulação de Esqueletos (Objetiva, 2002). A trama (das duas obras) acontece quase completamente em um supermercado, enquanto pessoas extremamente diferentes entre si tentam sobreviver ao horror desconhecido que se esconde em uma névoa misteriosa que invade, aparentemente, todos os lugares. Mas, como sempre acontece nas obras do King, o mais assustador sempre são, de fato, as pessoas.

O filme, dirigido pelo ótimo Frank Darabont (Walking Dead, quando ainda era bom), revela o quanto as pessoas podem ser muito mais horríveis que o monstros ocultos na névoa. Surgem questionamentos profundos, especialmente quanto à religião e até onde uma pessoa consegue chegar para sobreviver em uma situação extrema - e para proteger as pessoas que ama.

É de aplaudir que um filme consiga ser tão interessante e mexa tanto com os sentimentos de um telespectador acontecendo praticamente em um único cenário: um supermercado. Mas o roteiro é bastante envolvente e foca especialmente nos personagens, que realmente são o brilho da história. As atuações são convincentes, e apesar das caras mais conhecidas serem os atores de Walking Dead (Laurie Holden, Jeffrey DeMunn), série posterior ao filme, quem realmente rouba a cena é Marcia Gay Harden, que interpreta a insana e fanática religiosa Mrs. Carmody.

Filme recomendadíssimo para quem gosta de terror e de uma tensão crescente, mistério e muitos conflitos humanos. Para os fãs de King, há ainda uma deliciosa referência à épica série A Torre Negra, logo no comecinho do filme. Vale lembrar: adoro o conto do King, mas o final da adaptação é muito superior ao final da obra original. E olha que é difícil eu admitir essas coisas. 5 canecas e só tem um jeito de descobrir o que se esconde na névoa: assistindo.

Por Karen Alvares

Karen Alvares é escritora, blogueira e adora comer chocolate assistindo a filmes de terror e séries sanguinolentas, mas de vez em quando dá uma chance a romances docinhos. É autora do romance Alameda dos Pesadelos e de contos. Siga @karen_alvares.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Cult de Quinta: Especial Matrix (por Espanhol)

(The Matrix - 1999)

“Não tente entortar a colher. Isto é impossível. Ao invés disto tente perceber a verdade a verdade que existe nela. A colher não existe.”. Filosofia, ficção científica, dogmas, religião, efeitos especiais, óculos escuros, artes marciais. Escrever sobre Matrix é sempre um desafio empolgante e extremamente complexo, a obra prima das irmãs Lilly e Lana Wachowski (Na época dos filmes, ainda Andy e Larry Wachowski) tecem aos espectadores uma narrativa épica sobre o nosso tenebroso futuro em uma guerra contra as máquinas, que aprisionam as mentes humanas numa simulação computatorizada chamada Matrix, mas, muito além da história contada, todo contexto, diálogos e analogias colocam a trilogia Matrix em um patamar diferenciado, aquele que causa discussões sobre o próprio sentido e perspectivas de nossa existência. Curioso? Então tome a pílula vermelha e entre mais fundo na toca do coelho.



Thomas Anderson (Keanu Reevees) é um programador que trabalha numa grande corporação. Sua vida é razoavelmente pacata se não fossem por dois motivos: Anderson passa suas madrugadas atuando como o hacker Neo, fato que se deve muito ao segundo motivo, Anderson sente que há algo de errado com o mundo que vive, algo inexplicável, algo que está lá antes dele nascer e vai estar lá depois que ele morrer, uma verdade terrível que ele descobrirá sobre o que ele acredita ser real.

Após ter seu computador hackeado com os dizeres “A Matrix achou você”, Neo é atraído a uma festa onde faz contato com a bela e mortal Trinity (Carie-Anne Moss) que trabalha diretamente com o homem que é considerado o mais perigoso do mundo e atende pelo codinome de Morpheus (Laurence Fishburne), o qual deseja conhece-lo com o intuito de responder suas perguntas e lhe mostrar a verdade sobre a realidade do mundo em que vive.

Desde o encontro, uma sequência de acontecimentos colocam Neo sob vigilância do “federal” Agente Smith (Hugo Weaving) e depois de “sonhar” ter sido “grampeado” por um pequeno robô dentro de seu corpo, Neo está cada vez mais descrente sobre sua realidade e é novamente procurado por Morpheus, para entender o que está acontecendo com sua vida.

Aqui vai um pequeno detalhe que pode ter passado despercebido para alguns, há uma cena onde Neo entra no carro para encontrar com Morpheus, e após ser obrigado a tirar a camisa para remover a escuta que lhe plugaram, ameaça sair do carro. O trabalho de câmera é bem específico em focalizar a rua escura e Trinity complementa dizendo as seguintes palavras “Você sabe onde essa rua vai terminar.”. Por “acaso”, essa rua é a rua onde Neo e Smith fazem a batalha final no último filme da saga, inclusive, chove na cena da mesma forma como chove na luta derradeira.

“Essa é sua última chance. Depois disso, não há como retornar. Você toma a pílula azul – Fim da história, você acorda na sua cama acreditando em qualquer coisa que deseje acreditar ou você toma a pílula vermelha – Você fica no País das Maravilhas e eu vou te mostrar o quão funda é a toca do coelho”. E é assim que Morpheus da a Neo o poder da escolha. Poder extremamente determinante no universo da Matrix e no nosso também. Nossas escolhas nos levaram até esse exato ponto de nossas vidas, boas ou ruins, tudo que já fizemos foi determinante para que estejamos aqui, nesse momento, agora, lendo (pra mim escrevendo) essa crítica.

Após ser resgatado no mundo real indo a bordo da nave Nabucodonosor (Um Hovercraft futurístico que percorre os antigos esgotos da terra) e conhecer o restante da equipe de sobreviventes, Neo é treinado por Morpheus em artes marciais, tiro e até em como quebrar as leis da física dentro da Matrix para se preparar para seu primeiro encontro com o Oráculo (Gloria Foster).

O grande interesse de Morpheus em Neo é que ele acredita ter encontrado “O Escolhido”. Para Morpheus, Neo será o novo Messias e ele está disposto a morrer pela sua fé nessa verdade. Ao conversar com o Oráculo, Neo recebe a notícia que não é o Escolhido e que deverá fazer uma escolha: Entre a sua vida e a vida de Morpheus.

É inacreditável o que os responsáveis pelos efeitos visuais conseguiram produzir em 1999. Até hoje os efeitos do filme são incrivelmente verossímeis, como nas cenas onde temos o slow motion onde Neo desvia das balas e a cena do lobby. Fotografia e efeitos sonoros se casam com a harmonia necessária mas, é impossível obter maior destaque do que o apelo dos efeitos visuais da fita, inclusive, dizem que quando se trata desse tema em Hollywood há duas épocas: A pré e a pós efeitos visuais de Matrix.



Após essa visita, uma emboscada é armada e Morpheus é capturado pelo implacável Agente Smith que começa a tortura-lo com o intuito de descobrir os códigos de abertura dos portões de Zião (Mais religião? A famosa “terra prometida”), o que significaria a extinção da raça humana. Nesse ponto, temos a famosa cena de invasão ao lobby do prédio, a cena dura pouco menos de 4 minutos e é onde Neo e Trinity andam pelas paredes (literalmente!) e disparam todas as balas de todas as armas possíveis imagináveis, prato cheio para quem gosta de uma boa briga, efeitos especiais e efeitos sonoros alucinantes.

Já li muitas críticas sobre a atuação de Keanu Reevees na película e acho que o grande trunfo do filme é a história futuro-apocalíptica que possui várias interpretações possíveis e os efeitos visuais apurados, sendo assim, é necessário dizer que sua atuação é apenas razoável, onde o contexto das situações se tornam muito mais relevantes que o personagem em si.

Os destaques ficam para os “coadjuvantes” Laurence Fishburne e Carie-Anne Moss e principalmente para o vilão Hugo Weaving, que nos brinda com um antagonista elegante e de frases de efeito inteligentes e pragmáticas, fazendo uma avaliação bem coerente dos seres humanos do ponto de vista de um “programa de computador”.

Uma das franquias mais bem sucedidas de ficção cientifica do cinema, Matix deixa admiradores, estudiosos, teólogos, críticos e palpiteiros profissionais prontos para o debate, para quem deseja se aprofundar sobre o assunto, há dezenas de críticas espalhadas pela web analisando o filme sob as mais variádas óticas e estilos, o certo é, Matrix não é só um filme de ficção cientifica salvo por seus efeitos especiais, mas sim uma ode ao cinema inteligente e inovador, principalmente por seu texto desafiante e incisivo que questiona a origem da fé, religião, filosofia e também da própria vida.

Glossário:

Agente: Qualquer pessoa conectada à Matrix é um potencial agente. São programas com a unica finalidade de eliminar as “anomalias” do sistema, ou seja, qualquer humano conectado que já tenha sido recrutado no mundo real.

O Escolhido: Uma pessoa com poderes sobrenaturais dentro e fora da Matrix que, de acordo com a profecia proferida pelo Oráculo, irá encerrar com a longa guerra travada entre a humanidade contra as maquinas.

O Oráculo: Considerada a mãe da Matrix, ela opta em ajudar os humanos gerando o desequilíbrio necessário no algoritmo para que a Matrix exista, além de conseguir prever o futuro.


Zião ou Sião: O último bastião humano na Terra. A última cidade localizada perto do núcleo terrestre abriga o restante da humanidade que sobreviveu e é o QG dos esforços para vencer a guerra.

Trailer: Os Vingadores: A era de Ultron - 3º trailer

Atenção Marvetes! O terceiro trailer de Vingadores: A era de Ultron foi liberado mais cedo!


O trailer está repleto de cenas inéditas que focam em nossa superequipe favorita ao invés do vilão, como nos primeiros trailers. Podemos ver várias cenas de diálogo novas, cenas de combate novas ou de ângulos diferentes e mais easter eggs do filme.

O trailer começa com Ultron em algum tipo de santuário ou prédio antigo com os irmãos Wanda e Pietro Maximoff - Feiticeira Escarlate e Mercúrio, respectivamente - indicando que este pode ser o local em que Ultron os recruta pra sua causa. Depois vemos Tony Stark (Homem de ferro) falando como criou Ultron e mais tarde ele aparece segurando o cetro de Loki - que contém uma gema do infinito - e pode ser outra dica sobre a criação e os poderes do vilão robô.

Numa cena inédita, vemos Bruce Banner (Hulk) e Natasha Romanoff (Viúva Negra) num momento íntimo, quem sabe até de romance. Isso explicaria porque somente ela parece conseguir acalmá-lo quando o gigante verde luta contra a armadura Hulkbuster nos outros trailers. Ainda falando da agente russa, Natasha aparece mais tarde sofrendo algum tipo de encantamento de Feiticeira Escarlate, talvez ligando os pontos aos primeiros trailers onde a Viúva aparece num flashback em uma maca, e depois sonha com bailarinas (uma das fantasias que sofreu na infância no programa de treinamento Viúva Negra).

Depois disso mais cenas de combate seguem. Algumas no leste europeu e outras na Ásia, e talvez algumas na África do Sul, mas é difícil afirmar.

Por fim há uma grandiosa cena em que os Vingadores lutam contra incontáveis robôs de Ultron em o que parece que será o clímax do filme, ou pelo menos algo perto do fim da história, pois Wanda já aparece lutando ao lado da equipe.

O trailer fecha com um close-up de Visão acordando. Quem sabe o robô apareça mais no próximo trailer mostrando-nos seus poderes.


Vingadores: A era de Ultron estréia nos cinemas brasileiros dias 23 de abril.

Leia também sobre o primeiro trailer: Trailer: Os Vingadores: A era de Ultron

terça-feira, 3 de março de 2015

Brasil na Caneca: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (Por Cris F Santana)

(Hoje eu quero voltar sozinho - 2014)

Se tem um filme, na minha vida, que posso dizer que tenho uma ligação especial completa, este filme é Hoje Eu Quero Voltar Sozinho. Minha história com o filme começou em 2010, quando os produtores, como propaganda para fazer o longa, fizeram o curta-metragem "Eu Não Quero Voltar Sozinho". Não lembro exatamente como cheguei no link, mas a história, a música do Camelo com a Mallu, o capricho do vídeo. Foi paixão a primeira playada.

Eu não quero voltar sozinho - O curta

De lá pra cá acompanhei cada passo da equipe, cada nova imagem, cada notícia, até seguia os produtores nas redes sociais. Até que em 2014, finalmente, o filme foi lançado. Me senti parte daquilo. Fiz questão de ver na pré estreia (e outra vez depois) e de comprar o DVD (o pirata oficial, um pra mim e três pra presente) assim que foi vendido.
Ou seja, eu não podia deixar de trazer pra Caneca o filme que quase faz parte da minha vida.

Nem todo amor acontece à primeira vista.

Guilherme Lobo é Leonardo, o Leo, um adolescente de classe média tímido e inteligente e com pais super protetores que são um belo desafio ao seu desejo, cada vez maior, de ser independente. Um adolescente como muitos, não fosse um detalhe, é deficiente visual. Não bastasse o bullying natural praticado por adolescentes (bobos), Leo ainda tem que lidar com mais esse (apesar de ele dizer ter suas vantagens). Tess Amorim é Giovanna a best friend forever plus advanced melhor amiga companheira pra todo momento de Leo. E Fabio Audi é Gabriel, o garoto dos cachinhos angelicais que mudou do interior (Leia com sotaque: de Itapira) para a cidade e acaba na sala de Leo e Giovanna. A chegada do Gabriel no colégio muda completamente a vida dos três (e isso não é uma chamada de Sessão da Tarde).
Hoje Eu Quero Voltar Sozinho não é um filme sobre um garoto cego. E também não é um filme para levantar bandeiras. É um filme sobre amor. Sobre a descoberta do amor. Os olhares (ou não), os sentidos, os desejos, a primeira dança, a primeira música (aqui a ótima recomendação de There's Too Much Love de Belle e Sebastian), o primeiro carinho, o primeiro beijo. E a coragem de viver com toda a naturalidade todas essas coisas.
O candidato brasileiro a uma vaga na categoria Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Daniel Ribeiro fez de Hoje Eu Quero Voltar Sozinho um filme simples e limpo. Mas que ganha pelo carisma de sua história (mesmo que, infelizmente, não tenha convencido a Academia). Nenhum elogio pode ser poupado a interpretação de Guilherme Lobo, qualquer um que o assista se pergunta se ele não é mesmo um garoto cego. Enfim, um filme que quantas oportunidades eu tenha, assistirei novamente (e de novo). E a recomendação (e muito) da vez no Brasil na Caneca.

(Com Carinho, Cris F Santana)

Ps. Informação privilegiada de quem trabalha com a prima do ator (brigada Bibi), Fabio Audi, o Gabriel é realmente da cidade de Itapira, e emprestou seu sotaque original do interior paulista para seu personagem. 
Confira a trilha sonora completa do Filme.
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