sábado, 31 de janeiro de 2015

Especial Oscar 2015: Birdman (Por Cris F Santana)

(Birdman - 2014)

Birdman na verdade é a versão fictícia de uma história quase real. Explico! Riggan Thomas é um ator veterano que interpretou por vários filmes o herói Birdman, mas que decidiu parar de fazer o personagem no auge da fama, antes do quarto filme. E agora, tenta entrar para o time dos diretores/atores/produtores de teatro da Broadway, porque acredita que assim poderia dizer ter feito algo relevante na vida (não sei o que ele tem contra os heróis). Michael Keaton, o ator que interpreta Riggan, teve como auge de sua carreira os filmes onde interpretou Batman (1989/1992). E também, aparentemente, desistiu do personagem. O ator personagem está tentando reverter, no teatro, o auge de sua decadência. E esse jogo entre ficção e realidade também acontece na mente de Riggan. A construção da personagem e seus pontos de afetação mental é brilhante. O retrato do ambiente de teatro, o empresário preocupado com dinheiro e processos, a assistente filha, as atrizes e seus egos frágeis alternados com oscilações de auto-estima, os atores de egos inflados e personalidade alternante. Todas essas representações da forma de representar, criam uma interessante história. E ainda tem o homem pássaro!


Editado de modo a parecer um filme quase completo em plano sequência, faz os mais atentos gastarem uma parte de atenção procurando os cortes de cena. E estes são geralmente realizados em pequenas passagens em desfoque ou atravessando portas. Esse modelo de filmagem faz o filme ter tomadas longas que ampliam o desafio da interpretação e enfatizam a qualidade dos atores em cena. Além de contribuir para um tom metalinguístico no filme.

O filme tem nove indicações a estatuetas, empatado com O Grande Hotel Budapeste, o maior número de indicações ao Oscar em 2015. As indicações por Edição de Som e Mixagem de Som podem ser bastante representadas no filme, justamente, pela construção do plano contínuo, o áudio de uma cena em todas as sequências, "atravessa"para a outra cena, sem que nada se perca ou se altere. Algo que realmente destacaria no filme é a luz. As imagens são realmente lindas e não me surpreenderia se o filme conquistasse a estatueta de Melhor Fotografia. O roteiro, do próprio diretor, Alejandro González Iñárritu, é um bom candidato ao premio de Melhor Roteiro Original. Emma Stone está linda, como sempre, no papel de Sam, a conturbada e perturbada filha de Riggan, e concorre ao Oscar de Melhor Atriz CoadjuvanteEdward Norton (de Clube da Luta), se destaca no papel de Mike, o ator oportunista, concorre ao prêmio de Melhor Ator Coadjuvante (onde vai ter trabalho para superar o favorito J.K. Simmons de Whiplash). Michael Keaton, o protagonista, concorre como Melhor Ator, mas não parece ser o favorito da Academia. O mexicano Alejandro G. Iñárritu também é candidato a estatueta de Melhor Diretor. E deve concorrer de frente com Richard Linklater (de Boyhood) por essa (afinal, não da pra desvalorizar o cara que dirige 12 anos o mesmo filme). E por fim, o filme concorre ao grande prêmio da cerimônia, o de Melhor Filme, sendo merecidamente um dos favoritos da estatueta.

Pessoalmente, não só indico o filme, como torço por ele em diversas categorias. Em uma opinião pessoal e objetiva, Birdman é do caral**!

Update: O Filme venceu quatro de suas indicações ao Oscar, ficando com as estatuetas de Melhor Diretor (Alejandro G. Iñárritu), Melhor Roteiro Original (também do Alejandro), Melhor Fotografia (para Emmanuel Lubezki) e a tão cobiçada estatueta de Melhor Filme.


(Cris F Santana)



Mais algumas curiosidades relacionadas a Birdman:
Emma Stone, que interpreta a filha de Riggan, gravou Birdman durante um intervalo entre as  gravações de Amazing Spider-Man 2, e agora é pelo "projeto paralelo" que concorre a uma estatueta. 0-
Keaton é o primeiro cara indicado a melhor ator por um personagem fictício, desde Clint Eastwood em 2004. Esse ano mesmo são 4 biografados (o soldado, o matemático, o astrofísico e o treinador) e ele.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Filme: Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (por Karen Alvares)


Acreditem: eu nunca tinha assistido a esse filme. Claro, já tinha ouvido falar dele milhares e milhares de vezes, de como era bonito, de como era emocionante etc. etc. etc., mas a verdade é que tudo o que eu sabia sobre ele era que se tratava de um romance com o Jim Carrey, e um bem maluco.

Tudo bem, eu já tinha zapeado canais e visto partes do filme e nunca entendia nada. Claro, esse não é daqueles filmes que você pode pegar aos quinze minutos e acompanhar até o final. Você precisa assisti-lo do inicio ao fim e prestar bastante atenção; não é um filme difícil, mas é sim um filme confuso.

Joel (Jim Carrey) conhece Clementine (Kate Winslet) em um trem, em um dia em que ele foi inesperadamente impulsivo – o que não é de seu feitio – e resolveu pegar um trem para um lugar que definitivamente não estava em seu caminho. Clementine é totalmente o oposto de Joel; enquanto ele é tímido, retraído, até mesmo chato (sim, ele é um cara um tanto entediante), Clementine é impulsiva, espontânea, pinta o cabelo de cores malucas, enfim, já deu pra pegar a ideia, certo? E os dois ficam juntos, daquele jeito que às vezes acontece na vida, mas, em algum momento, Joel descobre que Clem passou por um tratamento experimental maluco para esquecê-lo. O cara entra em depressão e resolve que também vai esquecê-la, até que percebe... bem, percebe que às vezes é melhor sentir dor do que não sentir nada.

Apesar de toda a confusão que falei antes – cenas intercaladas de vários personagens, lembranças misturadas, modificadas à medida que Joel resolve “esconder” Clem em lembranças às quais ela não pertencia, e todas essas coisas -, o filme é bem gostoso de assistir. Romântico sem ser piegas, com algumas pitadas de humor bem dosadas, dramas que comovem. Assim é Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças.

Acredito que foi uma das atuações que mais goste de Jim Carrey; no começo é estranho vê-lo não fazendo um papel de comédia pastelão, mas justamente por ser um filme diferente do que ele está acostumado a fazer você consegue perceber que sim, ele é um ator muito bom.

A mensagem mais bela que captei desse filme foi a que mencionei ali em cima: apesar de um coração partido ser doloroso, é melhor ter um coração partido do que viver sem conhecer um grande amor. Ele pode até acabar, pode até ter existido de um lado só, mas, no fim, as lembranças – as boas e as ruins – fazem parte do que somos. Esquecê-las seria como arrancar um pedaço, deixando-nos incompletos.

Por algum motivo – talvez pelos personagens, talvez por ter demorado tanto tempo para assistir e construído expectativas excessivas – achei que iria me emocionar mais com o filme. Não me entendam mal, foi um filme ótimo, realmente bom para passar um tempo debaixo das cobertas (mas no ar-condicionado, claro), comendo pipoca, mas... faltou alguma coisa. Alguma coisa que realmente envolvesse, emocionasse. Eu esperava chorar e não foi isso que aconteceu. Talvez essa não fosse mesmo a ideia, eu que criei expectativas erradas. Mas, sim, terminei o filme com um sorrisinho no rosto e aquele sentimento que aconchega o coração. Uma boa pedida quando se está no clima de um filme de romance não muito convencional. 4 pipocas pra ele.

Por Karen Alvares

Karen Alvares é escritora, blogueira e adora comer chocolate assistindo a filmes de terror e séries sanguinolentas, mas de vez em quando dá uma chance a romances docinhos. É autora do romance Alameda dos Pesadelos e de contos. Siga @karen_alvares.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Especial Oscar 2015: Boyhood - Da Infância a Juventude (Por Rodrigo Sansão)

(Boyhood - 2014)

E hoje vamos falar sobre um filme que é favoritíssimo ao Oscar de melhor filme desse ano: Boyhood - Da Infância a Juventude 

O filme acompanha a vida do garoto Mason (Ellar Coltrane) durante sua infância, adolescência até o começo da sua fase adulta. Acompanhamos seu crescimento e amadurecimento, passando pelos seus conflitos familiares e amorosos.


Sim caros leitores, resumidamente o roteiro é só isso. História muito simples sem muitas emoções, aventuras, nem reviravoltas. Mas então, nos perguntamos, por que tantas indicações ao Oscar? Por que levou o Globo de Ouro de melhor filme? Por que o favoritismo? Por que a idolatria da crítica?


 A resposta é simples, a forma como foi gravado! Propositalmente, as gravações aconteceram durante 12 anos com o mesmo elenco!! Justamente para mostrar essa passagem de tempo, as transformações físicas reais dos personagens e principalmente capturar os acontecimentos de ano após ano, imputando, ora explicitamente ora sutilmente, elementos nostálgicos para te cativar e te trazer mais próximo das situações narradas do filme. Referências de músicas, brinquedos eletrônicos, tecnologias e entretenimentos  da última década são facilmente notadas.

E é essa era sacada do diretor  Richard Linklater. Do ponto de vista cinematográfico, foi genial. Foi diferente, interessante, curioso e ousado.  Tecnicamente o filme é muito bem feito. Atinge no ponto certo, cativa seu público e cumpre o seu papel.

Merece as indicações ao Oscar, principalmente para os prêmios técnicos (Roteiro Original, Montagem/Edição). Têm ótimas chances de levar a estatueta de Melhor Diretor. Entretanto deve passar longe dos prêmios de melhor ator coadjuvante (Ethan Hawke)  e melhor atriz coadjuvante (Patricia Arquette) . Inclusive, acho que o filme não teve nenhuma atuação brilhante. Quanto a indicação de melhor filme, Boyhood é um dos grandes favoritos da academia, mas sinceramente de todos os indicados que assisti foi o que menos gostei até agora.

Eu até gostei do filme. O filme é belo, é nostálgico, é interessante.  Gostei da simplicidade e da naturalidade de como a história é narrada. Gostei da ideia do "diferente", fugindo da mesmice Hollywoodiana . Por outro lado, achei a história muito fraca. Os poucos momentos de tensão/emoção ficaram por conta da mãe de Mason com seus relacionamentos problemáticos influenciando na vida dos filhos. De resto ficamos com uma trama demasiadamente arrastada que pecou no marasmo de algumas cenas e ficou cansativo ao longo de quase 3 horas de filme. Valeu a pena ter assistido, mas certamente está longe de ser meu preferido.

(Por Rodrigo Sansão)

Update: De suas indicações, o filme levou a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante para Patricia Arquette .

Especial Oscar 2015: Whiplash - Em Busca da Perfeição (Por Cris F Santana)

(Whiplash - 2014)

Poderia se dizer que Whiplash é um filme sobre determinação, mas talvez seja mais verdadeiro dizer que é um filme sobre obsessão. Andrew Neyman (Miles Teller, de Divergente) é um jovem baterista que não deseja mais nada na vida além de estar entre os melhores baterista da história. E para tal, se submete aos ensinamentos do professor de música tão ou mais obcecado pela perfeição quanto o aluno. O renomado professor Terence Fletcher (J.K. Simmons, de Homem Aranha) segue sua própria (e não tão incomum, no mundo real)  metodologia. Baseado no conceito de que a crítica negativa é mais construtiva que o elogio, cria um modelo perturbador de ensino. Boa parte dos que assistem, certamente, se identificam aqui de algum modo com o estudante.



A história segue uma linha onde o conflito da superação pessoal de Neyman se mistura ou se confunde com o de provar sua capacidade ao professor. Um filme onde nosso julgamento sobre onde se localiza a linha limite da sanidade são provocados todo o tempo.

Por mais que se trate de uma história sobre música, é um filme bastante visual. Onde as imagens de esforço e sacrifício, de alguma maneira sinestésica, cegam os ouvidos (me pergunte como). 

Apesar de um ótimo filme, merecedor do seu lugar entre os oito, não deve levar a estatueta de sua indicação a melhor filme. Também colocaria em dúvida a capacidade de Damien Chazelle, diretor e roteirista, de ter sua adaptação do, também seu, curta metragem para o longa, merecedora da estatueta de melhor roteiro adaptado. A montagem, de fácil compreensão, é merecedora da indicação, assim como a mixagem de som não poderia deixar de se destacar em um filme onde a música está em primeiro plano.
O grande destaque de Whiplash na cerimônia do Oscar, deve ser, sem dúvidas, para J. K. Simmons como melhor ator coadjuvante. Sua atuação como  o professor Fletcher se destaca facilmente e principalmente pela marcante intensidade das cenas (que lhe renderam inclusive duas costelas quebradas durante as gravações).

É um filme realmente belo, e pode se dizer, emocionante. Se faz impossível não solidarizar-se ao protagonista em diversos momentos. Assim como tenho dito sobre os indicados ao Oscar que comentei, merece ser assistido.

(Cris F Santana)

Uma última curiosidade, para os fãs do série teen Glee, a atriz Melissa Benoist, protagonista das últimas temporadas, participa do filme como Nicole, a namorada de Neyman (mas infelizmente não canta neste filme). 

Update: O filme levou as estatuetas de Melhor Edição, Mixagem de Som e (claro!) de Melhor Ator Coadjuvante para J. K. Simmons.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Especial Oscar 2015: Livre (Por Salemme)


Tenho uma queda por filmes baseados em histórias reais e por isso não pensei duas vezes antes de ir ao cinema conferir Livre.
Adaptado do livro de mesmo nome, conta a história da peregrinação de Cheryl Strayed pela costa do pacifico numa trilha de 1100 milhas (aproximadamente 1800 km). A trilha conhecida como Pacific Crest Trail (PCT) cruza a Costa Oeste dos Estados Unidos desde a fronteira com o México até o Canadá.

Wild/Livre - C de Caneca


A morte prematura de sua mãe Bobbi (Laura Dern) com 45 anos colocou Cheryl (Reese Witherspoon) em um caminho totalmente autodestrutivo. Aos 22 anos ela não supera a perda e busca refugio no uso de heroína e no sexo sem limites (e sem critério) que causa também o fim de seu casamento. Quando percebe o rumo que as coisas estão tomando em sua vida, Cheryl resolve que é hora de começar uma nova história para si mesma, deixar os fantasmas no passado, buscar autoconhecimento e traçar novas metas e ai, parte para a trilha onde durante mais de três meses passa por muitas adversidades e tem muito tempo para refletir.
No caminho, conhece algumas pessoas, mas passa a maior parte do tempo por conta própria, tendo que aprender as regras básicas da sobrevivência para se alimentar e dormir em segurança.
O longa é dirigido por Jean-Marc Vallée (Clube de Compras Dallas) que conseguiu, em minha opinião, fazer com que quase duas horas de filme com uma pessoa caminhando se tornassem extremamente interessantes, com autos e baixos que deixam os olhos grudados na tela, ávidos para saber o que vem depois. O diretor de fotografia, Yves Bélanger também tem grandes méritos para que não desviemos o olhar, o filme conta com incríveis paisagens da trilha, quase dá vontade de se arriscar por lá também.

A indicação das duas (Reese Witherspoon e Laura Dern) ao Oscar de melhor atriz e melhor atriz coadjuvante, respectivamente, são merecidas, destaque para Laura Derm que rouba a cena com sua atuação. 

Boa opção em cartaz e pra quem for conferir seguem algumas curiosidades: a pequena atriz que vive Cheryl quando criança é filha da real Cheryl Strayed que por sua vez também participa do filme.

(por Salemme)

Update: O filme não levou nenhuma estatueta.





quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Cult de Quinta: Janela Indiscreta (por Espanhol)

(Rear Window - 1954 )

Um suspense clássico do diretor Alfred Hitchcock, Janela Indiscreta é um filme atemporal. As questões que o filme levantou em sua estreia em 1954 ainda estão surpreendentemente relacionadas com o que vivemos hoje e como nossas vidas estão cada vez mais expostas ao “Grande Irmão” onde este, assustadoramente, assume papel de grandes potencias mundiais como o recente caso de espionagem mundial empreendido pela agência NSA dos EUA. Tirando essas e outras questões sobre a ética da espionagem, a película consegue um feito singular: originalidade e causar tensão, incrivelmente, sem derramar uma gota de sangue. Afinal, é só uma espiadinha!  




L.B. Jeffries (James Stewart) é um fotógrafo errante que fratura sua perna ao tirar fotos incríveis de um acidente numa pista de corrida. O resultado são 7 semanas de molho em uma cadeira de rodas em seu apartamento no suburbio de Nova Iorque, onde o entediado mocinho fica observando o que acontece com a comunidade de “janelas” dos vizinhos que o cercam.

O plot principal é incrivelmente simples e é notável como a construção de Hitchcock da o tom da película. Basta a assinatura dele na tela para você ficar empolgado e com razão, Hitchcock escolhe a dedo suas composições de musicas clássicas para dar o tom da movimentada vizinhança, ora alegre e cheia de personalidades como a bailarina promíscua, a mulher de meia idade solitária, o vendedor e sua esposa inválida ou o jovem músico boêmio e na calada da noite misteriosa e sinistra, onde as coisas que não deveriam ser vistas acontecem.

Uma das sacadas geniais do filme é que não há apresentação dos vizinhos observados por Jeff, seus nomes, personalidades e o que fazem são descobertos de acordo como levam sua vida dentro de seus apartamentos ou de acordo com a curiosidade do protagonista. Todas as manhãs, Stella (Thelma Ritter) uma veterana enfermeira vai até a casa de Jeff para banha-lo e conversar sobre sua namorada Lisa (a estonteante Grace Kelly) e como ele deveria se casar com a endinheirada garota.

Após várias semanas de ócio, Jeff se ocupa acompanhando a vida de sua vizinhança, aqui mais méritos para Hitchcock, onde nos apresenta uma fotografia e um jogo de câmeras impecáveis, passando de janela em janela, revelando pouco a pouco a rotina das personagens secundárias, as quais vão assumindo papeis importantes na trama. Mas é durante uma noite chuvosa que a história começa a tomar forma.

Jeffries acorda no meio da noite e começa a observar uma movimentação suspeita no apartamento do vendedor de joias e de sua esposa adoecida, a essa altura, Jeff já acompanha a vida do casal o suficiente para saber que quando o marido volta para casa, prefere cuidar de seu jardim a ouvir as infindáveis reclamações de sua esposa. Essa noite, o vendedor sai e volta com sua valize de trabalho repetidas vezes, na calada da noite, em meio a um temporal. Jeff acompanha tudo com estranheza, principalmente quando nota que o antagonista está guardando uma serra e um facão.

Aos poucos, Jeff começa a ficar obcecado pela atitude do vendedor e começa a espiona-lo, acreditando que ele assassinou sua mulher, que não foi mais vista desde aquela noite. Com a ajuda de Lisa e de seu amigo, o Tenente Thomas J. Doyle (Wendell Corey) os três começam a cercar os passos de seu estranho vizinho para tentar descobrir o que aconteceu a sua esposa e o que justificaria suas atitudes suspeitas.

Outra questão que o filme levanta é o Voyeurismo, ou a vulga “espiadinha”, que sugeria a pornografia (Caso da bailarina que vive dançando e se exercitando com poucas roupas em seu apartamento), ainda que de forma suave, em uma época que o tema ainda era tabu (Hoje, o assunto está alta em Hollywood, principalmente com a aguardada adaptação para as telinhas do livro homônimo Cinquenta Tons de Cinza). Outro ponto para Hitchcock que já havia abordado essa mesma temática também em Psicose.

Com um ótimo enredo, apresentação fantástica, atuações impecáveis e diálogos inteligentes, Janela Indiscreta é um daqueles filmes que nunca vai ser superado. É e sempre será um referência para o gênero policial e de suspense. É um filme feito na época certa com os elementos certos que influenciaram diretamente toda uma geração do cinema moderno. Para todos os fãs de cinema, é uma parada obrigatória na telinha.


Espanhol

Especial Oscar 2015: Garota Exemplar (Por Roberta Ferreira)


(Gone Girl – 2014)

Hoje vamos falar um pouco sobre o filme Garota Exemplar, que tem direção de David Fincher.

No filme, o personagem de Affleck se vê em apuros quando sua esposa Amy (Rosamund Pike) desaparece sem deixar rastros e sua inocência é duramente questionada pela polícia e pela sociedade em geral.

Garota Exemplar - Gone Girl


Suas mentiras e comportamento suspeito ajudam a desconstruir a imagem do casamento feliz e com isso sua situação bastante complicada começa a se agravar, dando motivos para que a mídia local arme um circo sensacionalista em torno de sua vida.

Acompanhamos o dia-a-dia de Nick Dunne (Affleck) e das pessoas mais próximas a ele, e nos pequenos detalhes dessa rotina podemos identificar alguns questionamentos implícitos: até que ponto nossa desconfiança nos faz responsáveis pela desgraça alheia? De que maneira contribuímos para tornar a vida de um semelhante um inferno?

O roteiro é muito bem construído de forma a prender a atenção do espectador, com reviravoltas brilhantes e momentos de tirar o fôlego. Apesar de ser longo em duração (149 minutos), o filme não é nem de longe cansativo e a tensão se estende a ponto de quem está assistindo não piscar para não perder os detalhes.

Do meio para o final do filme algumas situações levam a questionar a veracidade dos fatos, em seguida são apresentadas as consequências desses fatos na vida dos personagens diretamente envolvidos.

Na minha opinião, no início somos levados a pensar que seria um filme clichê de assassinato misterioso, mas com o passar dos minutos somos agraciados com uma obra prima do suspense. As duas horas em frente à tela valeram cada minuto. A lição que o filme nos ensina: "não acredite em tudo que vê".

Para os amantes de cinema que também são amantes de livros, Garota Exemplar é uma adaptação do livro Gone Girl, de Gillian Flynn. A mesma escritora fez a adaptação para o longa.
O filme é uma boa surpresa na categoria Suspense e concorre ao Oscar desse ano com uma indicação na categoria de Melhor Atriz (Rosamund Pike).
Aprovo e recomendo!

                                                                                   (Roberta Ferreira)


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Especial Oscar 2015: Sniper Americano (Por Cris F Santana)

(American Sniper - 2014)

Com seis indicações ao Oscar 2015, o filme biográfico Sinper Americano é o que costumo chamar de "típico filme padrão da cerimônia". Aquele filme de guerra, contra o terrorismo, onde os americanos são os heróis que defendem o resto do mundo da crueldade dos radicais islâmicos. Destes onde, até mesmo, os cartazes do filme exibem o soldado herói envolto na bandeira americana.

American Sniper

Porém, o ponto de vista do filme, traz um outro ângulo desta visão. Vemos enfatizados os traumas causados pela Guerra na vida dos soldados. Como matar, mesmo assumindo a ideia de que o inimigo é um ser cruel, é um gerador de efeitos catastróficos na mente do soldado. E no meio destes soldados, temos o atirador de elite, ou sniper, Chris Kale. Um típico garoto do interior que cresceu sob fortes princípios patriarcais de que devia defender os "seus" acima de qualquer atitude. Que se vê, aos trinta anos, diante dos atentados de 11 de setembro contra as Torres Gêmeas, na obrigação de defender seu país. Kale é um dos mais ufanista soldados. Em nenhum momento se nota nele algum tipo de dúvida sobre os motivos de sua luta no Iraque. Mesmo torturado mentalmente por memórias de situações de guerra, e pelos seus incontáveis assassinatos, a defesa de "seus garotos" como chama os soldados de seu batalhão é pra ele uma obrigação. Kyle tem a necessidade de combater e cumprir seu objetivo de eliminar aqueles que vem assassinando seus companheiros ou ameaçando seu país. Pelo outro ângulo acompanhamos pequenos detalhes da vida do medalhista olímpico iraquiano que tornou-se, também, um atirador de elite, do lado adversário.
Os conceitos de crueldade usados pelos chamados terrorista, contra os ocidentais ou mesmo contra compatriotas que em algum momento não compactuam com seus ideais, são explorados ao máximo, beirando os limites do exibível a quase todo o momento.

É um bom filme. Um filme de história de guerra. Não assistimos a um roteiro surpreendente ou excepcional. As impressões de guerra retratadas são mais marcantes do que a própria história. Assim como suas decorrências na vida pós guerra de Kyle e sua relação com sua família.
Da indicação a melhor filme, diria que é um filme bem feito. Principalmente ao que se propõe. Mas necessito assistir ao demais indicados para posicioná-lo em alguma condição de merecer o título de melhor filme, ou não. Não conheço o livro que deu origem a adaptação de Jason Hall, indicada também a melhor roteiro adaptado, mas admito que considerei os vieses da história bem trabalhados. A indicação de Bradley Cooper a estatueta de melhor ator por sua interpretação do protagonista biografado pareceu mais um prosseguimento do padrão de idealizar o personagem herói americano, que mencionei ao começo. Não que não considere Bradley um ótimo ator, pelo contrário, ele está sim em uma fase ímpar de interpretações que o fizeram merecer todas as suas últimas indicações e estatuetas. Porém, não acredito que este personagem, especificamente, tenha exigido tanto da interpretação do ator como os demais. A indicação a estatueta pela Montagem do filme é merecida. As idas e vindas e os avanços na história são facilmente compreensíveis e contribuem para o desenvolvimento da narrativa. A película também recebeu indicações de mixagem e edição de som, categorias que se destacam naturalmente em um filme de guerra, onde tiros, explosões e diálogos em meio a isso tudo são constantes.

Assim como, provavelmente, todos os outros filmes indicados ao Oscar de melhor filme do ano, este, que estréia nos cinemas brasileiros em 19 de Fevereiro, é um filme que merecesse ser visto. Principalmente pela sua qualidade de execução.

(Cris F Santana)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Trailer: Cinquenta Tons de Cinza



Um dos trailers mais assistidos de 2014 está há menos de um mês da estreia. Dia 12 de fevereiro, dois dias antes do Valentine’s Day (o dia dos namorados nos EUA) entra em cartaz o tão esperado e polemico 50 Tons de Cinza.





A expectativa é grande, principalmente dos que curtiram da trilogia de livros (eu me incluo nesse grupo) e o trailer deixa uma pulga atrás da orelha cutucando a curiosidade de assistir o longa. Entretanto, as entrevistas, matérias, “spoilers” e afins não aumentaram minhas esperanças de ver no cinema nada muito próximo do que a história oferece, começando pela tentativa de “enxugar” os três livros para um único filme.
Embora não pareça por trás de toda a parte sexual existe uma história que, em minha opinião, não pode ser tão resumida assim e se foi, acredito que ficará bem confusa e desconexa. Ainda que o segundo livro, 50 Tons Mais Escuros, seja totalmente dispensável para a história (porque é bem resumido na exploração das fantasias sexuais de ambos – ambos, Anastácia não é santa) o terceiro, 50 tons de liberdade, tem um enredo bacana, até um suspense moderado (ta bom... absurdo em alguns momentos), mas tem uma certa tensão, momentos muito engraçados e fecha mostrando que como em qualquer relacionamento, ambos cederam em nome do amor (e do prazer) e se ajustaram para ficarem bem.

O trailer, claro, não mostra nenhuma cena a fundo e pelo que andei lendo por ai nem o filme vai mostrar. Parece que algumas cenas mais picantes foram regravadas para não parecer um filme pornô... estranho, porque é um livro pornô, nos seus mínimos detalhes. Mas, Jamie Dornan (que vive o milionário Christian Grey) já afirmou em entrevista que o filme não vai mostrar nada impróprio para menores de 18 anos o que pra mim, já mostra que o filme esta descaracterizado.

Mesmo bastante desconfiada da qualidade do que vou encontrar, vou conferir na semana da estreia (sim, estou ansiosa). Espero superar a minha expectativa e ter ótimas críticas a fazer.
(por Salemme)



E se você chegou até aqui, talvez também se interesse pela Caneca relaconada:  
-   Sexo, sexo e sexo: Nymphomaniac "Combo" Volume 1 e Volume 2

domingo, 18 de janeiro de 2015

Novo Endereço! - www.cdecaneca.com

Para comemorar nosso primeiro ano na interwebs, o C de Caneca traz uma novidade! Mudamos para o nosso novo domínio!



Além disso, como já devem ter notado, nossa caneca está aumentando! Além de nós, Rodrigo Sansão e Cris F Santana, postando como se não houvesse amanhã, sobre todos os filmes que assistimos, exposições que visitamos, e tudo o mais que chamarmos de arte, contamos agora também com novos canequeiros

- Espanhol, fazendo a já tão acessada coluna "Cult de Quinta". 
- Victor Abadio, falando sobre todas as novidades e particularidades do Mundo Marvel nas telonas.
- Salemme, com postagens livres e divertidas sobre a Sétima Arte.
- Roberta Ferreira, e sua dinâmica coluna "Tudo em 15", perfis instigantes de seus temas em apenas 15 palavras.



Tudo junto e misturado na nossa caneca, para levar cada vez mais informação, opinião e diversão para os nossos queridos leitores.

Esperamos que todos se divirtam por aqui! :D

(Equipe C de Caneca)


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Indicados ao Oscar 2015


E finalmente foram divulgados os indicados ao Oscar 2015!!!



Confira:

Melhor filme
Melhor diretor
Melhor atriz
Melhor ator
Melhor ator coadjuvante
Melhor atriz coadjuvante
Melhor canção original
  • Everything is Awesome"-  Shawn Patterson (Uma Aventura Lego)
  • Glory - John Stephens e Lonnie Lynn (Selma)
  • Grateful - Diane Warren (Além das Luzes)
  • I'm Not Going to Miss You - Glen Campbell e Julian Raymond (Glen Campbell… I'll Be Me)
  • Lost Stars -  Gregg Alexander e Danielle Brisebois (Mesmo Se Nada Der Certo)
Melhor roteiro adaptado
Melhor roteiro original
Melhor longa de animação
  • Operação Big Hero
  • Os Boxtrolls
  • Como Treinar o Seu Dragão 2
  • Song of the Sea
  • O Conto da Princesa Kaguya
Melhor documentário em longa-metragem
  • Citizenfour
  • Last Days in Vietnam
  • Virunga
  • A Fotografia Oculta de Vivian Maier
  • O Sal da Terra
Melhor longa estrangeiro
  • Ida (Polônia)
  • Leviatã (Rússia)
  • Tangerines (Estônia)
  • Timbuktu  (França/Mauritânia)
  • Relatos Selvagens (Argentina)
Melhor fotografia
Melhor figurino
Melhor documentário em curta-metragem
  • Crisis Hotline: Veterans Press 1"- Ellen Goosenberg Kent e Dana Perry
  • Joanna - Aneta Kopacz
  • Our Curse - Tomasz Sliwinski e Maciej Slesicki
  • The Reaper(La Parka) - Gabriel Serra Arguello
  • White Earth - J. Christian Jensen
Melhor montagem/edição
Melhor maquiagem e cabelo
Melhor trilha sonora
Melhor design de produção
Melhor animação em curta-metragem
  • The Bigger Picture - Daisy Jacobs e Christopher Hees
  • The Dam Keeper - Robert Kondo e Dice Tsutsumi
  • O Banquete - Patrick Osborne e Kristina Reed
  • Me and My Moulton - Torill Kove
  • A Single Life - Joris Oprins
Melhor curta-metragem
  • Aya - Oded Binnun e Mihal Brezis
  • Boogaloo and Graham - Michael Lennox and Ronan Blaney
  • Butter Lamp - Hu Wei and Julien Féret
  • Parvaneh - Talkhon Hamzavi and Stefan Eichenberger
  • The Phone Call - Mat Kirkby and James Lucas
Melhor edição de som
Melhor mixagem de som

Melhores efeitos visuais
  • Capitão América 2: O Soldado Invernal - Dan DeLeeuw, Russell Earl, Bryan Grill and Dan Sudick
  • Guardiões da Galáxia - Stephane Ceretti
  • Planeta dos Macacos: O Confronto - Joe Letteri, Dan Lemmon, Daniel Barrett and Erik Winquist
  • Interestelar - Paul Franklin, Andrew Lockley, Ian Hunter and Scott Fisher
  • X-Men: Dias de um Futuro Esquecido - Richard Stammers, Lou Pecora, Tim Crosbie and Cameron Waldbauer

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Brasil na Caneca: Loucas pra Casar (por Salemme)

(Loucas pra Casar)


Costumo ser muito critica com relação ao cinema nacional e sempre tenho muito receio em investir em ingressos com essa categoria, mas Loucas pra Casar foi uma surpresa muito feliz.
A quarentona Malu (Ingrid Guimarães) é bem sucedida profissionalmente, namora um ótimo partido e após ter visto todas as suas amigas casando espera ansiosa pelo pedido de casamento quando descobre que o namorado bonitão Samuel (Márcio Garcia) tem outras duas amantes: Lúcia (Suzana Pires) e Maria (Tatá Werneck). As três entram então na disputa de quem será a escolhida para o sonhado noivado.

O enredo do filme é muito bom, bem costurado e com a dose certa de humor, sem tornar o filme uma comédia pastelão. As piadas de cunho sexual estão bem distribuídas e não são excessivas (visto a quantidade delas em outros filmes nacionais) e o final do filme é surpreendente, fechando com chave de ouro, uma comédia muito bem elaborada.
Há, é claro, algumas frases de efeito com padrão de programas humorísticos globais que tentam fazer do filme um Stand Up Comedy, mas a história foi bem conduzida e esse detalhe quase passa despercebido.
Destaque para a atuação das três protagonistas que dão show do começo ao fim demonstrando um entrosamento impar entre elas e com o pivô do “quadrangular” amoroso que também mostra a que veio numa química de atuação incrível. O conjunto da obra ficou gostoso de assistir.
Os personagens coadjuvantes Dolores (Fabiana Karla) e Rubi (Edmilson Filho) estão como parte do clichê Globo de personagens de comédias: a lésbica caminhoneira e o gay purpurinado, mas ficaram bem encaixados e não comprometem o desenvolvimento  da história.
Vale a pena conferir na telona, risadas garantidas e um final inesperado para sair do cinema satisfeito!


(por Salemme)



Caneca Relacionada:


Trailer: Os Vingadores: A era de Ultron

(Avengers: Age of Ultron)

Nesta segunda saiu o novo trailer do segundo live-action de Os Vingadores.



O trailer mostra mais cenas apocalípticas e mais conflitos entre os Vingadores, assim como o primeiro.

As novidades ficam em duas cenas:
- Uma mulher negra aparece se despindo numa caverna que parece ser a mesma caverna em Thor está se afogando no primeiro trailer. Quem é esta mulher? Alguma guerreira de Wakanda, muito provavelmente. O país fictício é o lar do Pantera Negra, herói que já tem filme solo marcado e fará sua primeira aparição nas telonas em Capitão América: Guerra civil.
- A segunda cena nova mostra a Viúva Negra sendo levada a algum tipo de cirurgia. Pelo cabelo da atriz Scarlett Johansson e da ambientação da cena, deduz-se que se trata de um flashback, para conhecermos melhor um pouco do passado da misteriosa personagem.

Os Vingadores: A era de Ultron chegam aos cinemas brasileiros no dia 30 de abril.


Caneca Relacionada:
-    Trailer: Homem-Formiga

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Filme: Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário (Por Rodrigo Sansão)



É muito difícil avaliar um filme que é uma adaptação para o cinema de uma das séries animadas mais conhecidas do Brasil. As comparações serão sempre duras, pois é complicado transformar uma série de cerca de 70 episódios  em um filme de 1h30. 
Fui fã dos Cavaleiros dos Zodíacos por muito tempo e me senti obrigado a assistir esse filme mesmo lendo muitas críticas negativas.

E as críticas são totalmente justas. Pouca coisa se salva no filme. O filme é decepcionante.
O roteiro foi muito mal trabalhado e você logo percebe um monte de buracos na história. Obviamente que quem acompanhou a série original irá compreender algumas situações, mas para quem é novato, ficará totalmente perdido.

Os diálogos foram mal elaborados e alguns personagens ficaram totalmente perdidos na história. A impressão é  que priorizaram a animação, e realmente os traços e efeitos ficaram muito bons e esqueceram do roteiro, faltou capricho na construção dos personagens, faltou capricho no conteúdo. 

Sei também que seria difícil colocar todas as batalhas do santuário no filme, mas poderiam ser um pouco mais fiel a série original.  A batalha da casa de Câncer foi patética. Ignoraram batalhas inesquecíveis (e talvez as melhores) como a de Ikki versus Shaka e a de Shura versus Shiryu. Fora as participações minúsculas de alguns personagens importantes da série. Um Seya "bobão" e os "outros" sendo apenas os "outros" no filme também. 

Enfim, sem emoção, sem profundidade e sem alma. Um filme pobre de conteúdo e rico nos efeitos. Apenas isso.

(Por Rodrigo Sansão)

Filme: Acima das Nuvens (Por Cris F Santana)


Acima das Nuvens deve ter sido o primeiro filme sobre o qual eu e o Rodrigo Sansão tivemos diversas opiniões divergentes. Analisando simplificadamente, eu gostei quase que por completo, e ele não.

O filme aborda a vida de Maria (Juliette Binoche), atriz, hoje de meia idade. Quando jovem, Maria inciou sua carreira interpretando uma jovem de vinte e poucos anos que usa seu poder de sedução para interpelar uma mulher mais velha e ter ascensão em sua carreira.
Após a morte do autor da peça, amigo próximo de Maria, um jovem diretor decide reencená-la e convida Maria para interpretar Helena, a mulher mais velha da nova versão. 
O segundo ato do filme é focado na preparação artística da atriz, que tem dificuldades em se desvincular do seu papel quando jovem. 
Maria e Valentina (Juliette Binoche e Kristen Swart)
Os melhores momentos do filme são as passagens de texto entre Maria e sua assistente pessoal Valentine (Kristen Stewart). É neste ponto que um dos principais conflitos do filme é exposto. A mistura da realidade da atriz com a ficção das novas personagens é utilizada para explicitar os sentimentos aparentemente inconscientes ou talvez sobrepujados pelas mulheres em cena.
As vulnerabilidades e inseguranças trazidas pela idade à Maria confundem-se todo o tempo com as da personagem a ser interpretada, Helena. 
As locações em vales Suíços conferem paisagens incrivelmente belas a fotografia da película.

O filme, não muito divulgado, apresenta duas ícones do cinema atual, Kristen Stewart (Saga Crepúsculo) e Chloe Moretz (Kick-Ass e Carrie, a Estranha). Kristen aparece tão bela quanto nunca (e sem trocadilhos), encaixada em sua personagem. Em uma visão pessoal, Kristen consegue ótimas interpretações, fato comum as suas personagens que possuem características próximas a sua própria personalidade. Linda, sem dúvidas, convincente, desta vez pode se dizer que sim. Chloe, no papel da jovem atriz superevidenciada, Joan, pode ser descrita como uma mistura das mais superficiais características das jovens atrizes Hollywoodianas, como as próprias Chloe e Kristen (quando não estão em ótimos filmes undergrounds).

Mesmo acreditando que a história poderia ter terminado ao final do segundo ato, evitando o tal epílogo, esse ponto não diminui sua qualidade e individualidade. É um filme que vale a pena ser assistido (e nisto também concordamos).

(Por Cris F Santana)


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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Premiados Golden Globes 2015

Na noite de ontem foram entregues os Golden Globes 2015. A premiação inclui categorias em Cinema e TV. O C de Caneca destaca os premiados em cinema:
Boyhood, elenco e equipe
Melhor filme – Drama
"Boyhood"
"Foxcatcher"
"O jogo da imitação"
"Selma"
"A teoria de tudo"
Melhor filme – Comédia ou musical
"Birdman"
"O grande hotel Budapeste"
"Caminhos da floresta"
"Pride
"Um santo vizinho"
Melhor filme estrangeiro
"Força Maior" (Suécia)
"Gett" (Israel, Alemanha, França)
"Ida" (Polônia)
"Leviatã" (Rússia)
"Tangerines" (Estônia)
Melhor filme de animação
"Operação Big Hero"
"Festa no céu"
"Os Boxtrolls"
"Uma aventura Lego"
"Como treinar seu dragão 2"

Melhor ator – Drama
Steve Carell ("Foxcatcher")
Benedict Cumberbatch ("O jogo da imitação")
Jake Gyllenhaal ("O abutre")
David Oyelowo ("Selma")
Eddie Redmayne ("A teoria de tudo")

Eddie Redmayne 
Melhor ator – Comédia ou musical
Ralph Fiennes ("O grande hotel Budapeste")
Michael Keaton ("Birdman")
Bill Murray ("Um santo vizinho")
Joaquin Phoenix ("Vício inerente")
Christoph Waltz ("Big eyes")

Melhor atriz – Drama
Jennifer Aniston ("Cake")
Felicity Jones ("A teoria de tudo")
Julianne Moore ("Para sempre Alice")
Rosamund Pike ("Garota exemplar")
Reese Witherspoon ("Livre")

Melhor atriz – Comédia ou musical
Amy Adams ("Grandes olhos")
Emily Blunt ("Caminhos da floresta")
Helen Mirren ("A 100 passos de um sonho")
Julianne Moore ("Mapa para as estrelas")
Quvenzhané Wallis ("Annie")
Melhor ator coadjuvante
Robert Duvall ("O juiz")
Ethan Hawke ("Boyhood")
Edward Norton ("Birdman")
Mark Ruffalo ("Foxcatcher")
J.K. Simmons ("Whiplash")

Melhor atriz coadjuvante
Patricia Arquette ("Boyhood")

Jessica Chastain ("A Most Violent Year")
Keira Knightley ("O jogo da imitação")
Emma Stone ("Birdman")
Meryl Streep ("Caminhos da floresta")

Amy Adams
Melhor diretor
Wes Anderson ("O grande hotel Budapeste")
Ava Duvernay ("Selma")
David Fincher ("Garota exemplar")
Alejandro González Iñárritu ("Birdman")
Richard Linklater ("Boyhood")

Melhor roteiro
Wes Anderson ("O grande hotel Budapeste")
Gillyan Flinn ("Garota exemplar")
Alejandro González Iñárritu ("Birdman")
Richard Linklater ("Boyhood")
Graham Moore ("O jogo da imitação")
Melhor trilha original para filme
Johann Johannsson – "A teoria de tudo"

Alexandre Desplat – "O jogo da imitação"
Trent Reznor & Atticus Ross – "Garota exemplar"
Antonio Sanchez – "Birdman"
Hans Zimmer – "Interestelar"
Melhor canção original para filme
"Big Eyes" – "Big Eyes" (Lana Del Rey)
"Glory" – "Selma" (John Legend, COmmon)
"Mercy Is" – "Noé" (Patty SMith, Lenny kaye)
"Opportunity" – "Annie"
"Yellow Flicker Beat" – "Jogos Vorazes: A esperança – Parte 1" (Lorde)
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